Os senadores Osmar Dias (PSDB-PR) e Jonas Pinheiro (PFL-MT) firmaram um acordo no Senado, que resultou na suspensão temporária do projeto de lei que proíbe o uso de anabolizantes para engorda de animais. Osmar Dias é o autor do projeto que proíbe o uso dessas substâncias químicas na pecuária, pelos danos que elas acarretam à saúde pública. Segundo o senador, os anabolizantes provocam alterações de origem hormonal e câncer.
O projeto vinha tramitando no Senado desde meados de 1995, com a argumentação de que o Brasil não tem estrutura de fiscalização adequada para impedir o uso indiscriminado desses produtos, podendo ocorrer consequências graves para o consumidor. Mas o senador Jonas Pinheiro apresentou um substitutivo que poderá liberar o uso de hormônios, desde que acompanhados pela Vigilância Sanitária.
Com o impasse, os dois senadores entraram em consenso e decidiram esperar por uma posição oficial do Ministério da Agricultura sobre o assunto. Essa decisão foi confirmada na última reunião da Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado.
No Paraná, o Conselho Regional de Medicina Veterinária, que reúne três mil profissionais de veterinária e zootecnia também rejeita o uso indiscriminado de hormônios do crescimento. O presidente Paulo Vieira Borba não se pronunciou especificamente sobre o projeto de lei do senador Osmar Dias, mas admitiu que existem falhas na fiscalização, já que os organismos federais e estaduais não possuem estrutura para fiscalizar o uso controlado dessas substâncias.
Borba citou também a falta de conscientização do pecuarista em aplicar os anabolizantes de forma adequada, respeitando o período de carência antes do abate, quando deve ser suspenso o uso de anabolizantes. Também lembrou a necessidade de se fazer uma análise sobre a relação de países que aceitam importar produtos de origem animal, para não prejudicar as exportações.
Para a ADOC - Associação de Defesa e Orientação do Cidadão - o uso de anabolizantes é prática condenável no mundo inteiro pelas entidades e órgãos de defesa dos consumidores pelos danos que acarretam ‘a saúde. Segundo a entidade, o substitutivo apresentado por Jonas Pinheiro é resultado de pressões de pecuaristas e de empresas fabricantes, visando a liberação desses produtos para produção de carne para consumo interno.

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