As posições opostas do Brasil e dos Estados Unidos sobre a conclusão e o alcance da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) podem resultar em luta sem quartel na reta final das negociações do maior acordo comercial regional do planeta. O texto que deve ser aprovado sábado pelos ministros de Comércio dos 34 países que participam da criação da ALCA, com exceção de Cuba, e que será a base de trabalho dos presidentes americanos durante a 3ª reunião de cúpula das Américas de Quebec (em 20 e 22 de abril) está cheio de colchetes e parênteses.
São nove os capítulos negociados no acordo que pretende derrubar travas ao comércio na região que fica entre o Alasca e a Terra do Fogo: acesso a mercados, agricultura, investimentos, subsídios, medidas antidumping e medidas compensatórias, serviços, compras governamentais, defesa da concorrência, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
Mas a data sobre a conclusão das negociações, prevista inicialmente para 2005 opõe os dois gigantes do continente: Brasil e Estados Unidos.
Enquanto Washington defende a aceleração das negociações para que tudo fique pronto em 2003, Brasília reitera que o importante não é a data, mas um acordo justo que permita a todos igualmente o acesso aos mercados, principalmente o americano.
Na viagem que o presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, realizou no final de semana passada a Washington para encontrar-se com o colega americano, George W. Bush, recordou que o ‘‘essencial é a negociação’’.
As eleições do ano que vem no Brasil serão sem dúvida um fator complicador para a criação desta área de livre comercio que contará com um Produto Interno Bruto de 10,8 trilhões de dólares e 823,2 milhões de pessoas.
O governo do social democrata FHC, que governa pelo segundo mandato consecutivo com uma coalizão de cinco partidos, não está seguro de que o povo brasileiro apóia sua política em outubro de 2002.

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