Curitiba - O Paraná deve ser o primeiro estado brasileiro a implantar projeto de fontes alternativas de geração de energia, atendendo o apelo do Plano Nacional de Agroenergia, do governo federal. A idéia, que partiu do Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), é usar resíduos e efluentes orgânicos da agroindústria em particular da avicultura e suinocultura para convertê-los em energia a partir da queima do biogás resultante do tratamento desses efluentes.
O assessor da diretoria da Itaipu, Cícero Bley, disse que o projeto já está bem adiantado e terá como piloto uma unidade demonstrativa a ser instalada na Bacia do Rio Toledo, em Santa Terezinha de Itaipu (25 km a nordeste de Foz do Iguaçu). O projeto envolve uma cooperativa da região, que reúne 36 produtores. O potencial de produção de biomassa residual, no entanto, foi identificado em 29 municípios da região Oeste, que estão na Bacia do Rio Paraná.
Segundo Bley o projeto da rede coletora e da estação de tratamento de esgoto, feito pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), já está pronto. A Itaipu fez o projeto da unidade que transformará o biogás em energia. Não há previsão, no entanto, de quando começará a implantação. Na semana que vem, as instituições envolvidas se reunirão para discutir um cronograma. Participam do projeto o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) e a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Com o uso de biodigestores para tratamento, os dejetos de aves e suínos vão se transformar em biogás uma mistura de gás metano com gás carbônico e outros gases em menor quantidade e em biofertilizante, para ser aplicado nas lavouras. A energia gerada será utilizada para atender as propriedades rurais, como o funcionamento de motores elétricos, aquecedores de água, geladeira, fogão e outros utensílios domésticos. O biogás também poderá substituir o gás liquefeito de petróleo na cozinha.
O projeto considera a possibilidade de produção excedente de energia, que poderia ser comprada pela Copel. Bley explicou que, para isso, foi desenvolvido um sofware livre para que a energia possa entrar na rede da Copel com segurança. A estatal, no entanto, informou, por meio da assessoria de imprensa, que a viabilidade técnica e econômica do projeto ainda está sob análise.
Estima-se que a região Oeste do Paraná tenha um rebanho de 1,2 milhão de suínos e 15 milhões de aves, cujos dejetos são lançados em córregos e riachos que deságuam diretamente no reservatório de Itaipu. A suinocultura sozinha teria potencial de gerar 36 megawatts, o que equivale à produção de uma pequena central hidrelétrica.
Além de reduzir o impacto ambiental do lançamento irregular desses resíduos em cursos d'água, a produção de energia a partir do biogás pouparia o uso da energia gerada por hidrelétricas, o que Bley classifica como ''energia nobre''.
Na semana passada, foi lançada a pedra fundamental do Laboratório de Eficiência Energética do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), no PTI, onde o projeto de recuperação de energia de biomassa residual poderá ser aprimorado. A instalação do laboratório no PTI faz parte de um convênio de cooperação técnico-financeira firmado entre a Itaipu, a Eletrobrás, o Instituto de Tecnologia Aplicada e Inovação (ITAI) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), para o desenvolvimento de ações integrantes do Procel na região.

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