Projeto aproveita resíduos da indústria
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da folha 
Curitiba - A reciclagem de resíduos sólidos gerados pela indústria é uma atividade vantajosa para um grupo de produtores em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, assistidos pelo projeto ''Alto Iguaçu'' comandado pelo doutor e coordenador do curso de Agronomia da Universidade Federal do Paraná, Luiz Antônio Lucchesi e mantido pela iniciativa privada. Os agricultores já conquistaram uma alta média de 30% na produtividade desde o início da fertilização do solo com um produto originado de matéria orgânica tratada pelo projeto por meio da parceria com empresas de alimentos.
De acordo com Lucchesi, a agricultura é uma opção viável que ameniza o problema da destinação de resíduos, tão comum na indústria e principalmente reduz os custos com a compra de fertilizantes importados. ''Uma tonelada do produto custa de R$ 20 a R$ 100 dependendo do processo de reciclagem aplicado.''
A reciclagem agrícola é a reutilização dos nutrientes e matéria orgânica dos resíduos e seus subprodutos para nutrição do solo após um tratamento eliminador de metais pesados e contaminantes orgânicos e patogênicos (vírus, bactérias, etc). Cerca de 30% do lixo produzido pela capital paranaense é orgânico e boa parte serviria para a preparação de fertilizantes.
Deste posicionamento, surgiu em 1997 o projeto ''Alto Iguaçu'' com o objetivo de contribuir na despoluição do local e oportunizar soluções para recuperação de áreas degradadas por meio da retirada de subprodutos da indústria e agroindústria dos aterros sanitários.
A base do fertilizante ecologicamente correto é o biossólido - um lodo armazenado em estações de tratamento de efluentes (ETEs) -, isto é, uma água residual das indústrias que não pode ser despejada na natureza sem trato prévio por ser poluente. Destaque para esterco de suínos e de aves, vinhaça ou líquidos do setor leiteiro, entre outros. Por meio de um processo físico-químido, a massa transforma-se em um pó rico em nutrientes. As 10 mil toneladas de reciclável geradas ao ano foram distribuídas gratuitamente no início do projeto, mas agora, já está sendo comercializada aos cerca de 70 agricultores da RMC participantes do projeto.
®MDBO¯®MDNM¯
A compostagem é largamente defendida por Lucchesi por ser mais barata e ter uma liberação de calor ''altamente eficaz na exterminação de elementos patogênicos''. No entanto, o pesquisador faz um alerta: ''Tem que ser feito no tripé engenharia, tecnologia e ciência, ou seja, deve ser bem-feito para evitar problemas com barreiras sanitárias e sempre acompanhado de instruções de um engenheiro agrônomo'', ensina.
Lucchesi avisa que há de se ter em mente, que a agricultura não é lata de lixo. ''Não é simplesmente jogar os resíduos na lavoura. Eles precisam ser tratados e o adubo deve ser aplicado em dosagens corretas'', diz.


