Projeto aprovado desagrada a federação da agricultura
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A proposta de lei aprovada na Assembléia Legislativa anteontem desagradou também os representantes da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). De acordo com o assessor técnico da presidência, Carlos Augusto Albuquerque, a proibição do plantio e comercialização de produtos transgênicos no Paraná não tem amparo jurídico e coloca em risco toda a produção convencional existente no Estado. ''É melhor legalizar inclusive a produção da soja transgênica. Isso obriga as empresas exportadoras e a indústria a procurarem uma certificação'', justificou ele.
Albuquerque considera que a legalização dos transgênicos poderá trazer consequências desastrosas, como a contaminação de lotes de soja tradicional. ''O agricultor que produz transgênicos de forma clandestina vai querer esconder esta soja. Como ele vai fazer isto? Escondendo a soja transgênica nos lotes de soja convencional. O resultado pode ser desastroso'', ponderou.
O representante da Faep disse que a Europa é o principal mercado consumidor da soja tradicional paranaense. No entanto, os países europeus admitem um máximo de 0,9% de transgênicos entre os produtos exportados. ''Se passar deste índice, o lote é rejeitado. Temos que evitar prejuízos para os produtores. A certificação evitaria estes prejuízos'', analisou ele.
A assessoria de imprensa da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) informou ontem que a entidade está analisando o teor do projeto aprovado na Assembléia e não vai se pronunciar por enquanto sobre o assunto. Os diretores estão fazendo visitas às cooperativas para saber o posicionamento da maioria dos produtores do Estado.
A pesquisa da transgenia está sendo realizada no Paraná desde 1997. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Londrina é a responsável pelos testes. Estão sendo estudados diversos genes resistentes a herbicidas e genes que aumentam o teor de prolina P5CS na soja evitando a morte rápida em períodos de seca (chamado de genes da tolerância seca). Outros genes estão no freezer para estudos posteriores, entre eles o da insulina humana e hormônio humano de crescimento.


