Municípios do Paraná que buscam romper com antigas tradições e vícios econômicos, projetando desenvolvimento econômico e social para os próximos anos, estão reunidos no Centro de Difusão de Tecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, para o curso de formação de gestores para processo de desenvolvimento local.
Ele é ministrado por pesquisadores do Iapar e por técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR). É parte de um projeto maior, que vem sendo desenvolvido desde abril deste ano, e quer capacitar administradores locais a elaborar um ''plano diretor''. Longe do aspecto puramente urbanístico, tal plano nada mais é do que desenvolver o aproveitamento dos recursos locais de cada região, e estimular uma correta captação de recursos.
O grupo que participa da promoção traz representantes de 20 cidades da região do Cantuquiriguaçu, no centro-sul do Estado. Lá, existem problemas econômicos e sociais provenientes da própria característica rural. O leite é o produto principal, mas, sem transformação, não atinge preços satisfatórios. Na agricultura, o milho é a opção, porém não entusiasma a todos.
A região de 232 mil habitantes também tem sete usinas hidrelétricas, que podem ser exploradas turisticamente. Poucas cidades têm fôlego para encampar mudanças por si própria. ''Até conseguem, só que sozinhas elas podem muito pouco'', diz Adelar Antonio Motter, agrônomo do Iapar e coordenador do projeto. ''Às vezes um município faz algo fantástico que seu vizinho não consegue''.
O objetivo é que comecem a atuar unidas. Dos primeiros encontros, já surgiram focos de mudanças. Estradas são um problema comum para a economia de todos os 20 municípios. Assim como é a cultura de relacionamento pessoal, e a própria participação popular, reduzida. Tudo isso foi constatado dentro do esforço iniciado pelo Iapar.
Começam a vislumbrar a necessidade de agregar valor ao leite. E já se fala na criação de uma indústria regional para a transformação não só do produto, como também da carne suína, outra força da economia local. ''Hoje, eles percebem que precisam pensar como região'', argumenta o agrônomo. Um exercício que o grupo praticou ontem foi produzir informações. Motter vê o manejo de dados informativos como fundamental para a criação do desenvolvimento planejado. ''Se não houver gente do próprio município engendrada no processo o esforço não adianta'', sustenta o coordenador.

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