São Paulo - A indústria perdeu R$ 24,7 bilhões de riqueza nos últimos seis meses em razão da crise, segundo projeções do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI). O carro que deixou de ser montado, o alto-forno da siderúrgica desligado, por exemplo, provocaram uma contração da ordem de 15% no ritmo de produção entre setembro e março e um recuo no Produto Interno Bruto (PIB) industrial.
O baque sofrido pela indústria em seis meses foi tão grande que, mesmo com a recuperação esboçada no ritmo das fábricas em janeiro e fevereiro, economistas preveem que a produção industrial encolha entre 4% e 5% este ano na comparação com 2008.
''O tombo na indústria foi muito grande em tão pouco tempo'', afirma o economista do IEDI, Rogério César de Souza, que calculou, a pedido da reportagem, a contração no PIB industrial após a eclosão da crise. Para chegar aos R$ 24,7 bilhões, que é a perda do PIB industrial a preços de mercado, ele levou em conta margens de comercialização e impostos da ordem de 20%, que é uma média, na sua opinião, conservadora.
Além disso, o economista fez as projeções a partir dos dados mais recentes que são o PIB do último trimestre de 2008 da indústria de transformação e extrativa mineral. Esses dois segmentos respondem por quase 70% da produção da indústria. Ficaram de fora a construção civil e a distribuição de eletricidade, gás e água, que entram, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no PIB da indústria.
O economista do IEDI destaca que a perda no PIB da indústria é real e pode ser ainda maior, se for considerada a deflação dos preços dos produtos industriais. É que para desovar os estoques excessivos acumulados nas fábricas, a indústria também cortou preços, a exemplo do que ocorre hoje no comércio varejista.
O recuo nos preços da indústria foi quase equivalente ao do IGP-M como um todo para o mesmo período, que teve deflação de 0,74%. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, 14 dos 20 grupos de preços industriais pesquisados para a apuração do IGP-M tiveram deflação em março. A queda mais abrupta ocorreu nos produtos siderúrgicos, cujos preços no atacado recuaram 4,23% no mês passado.
Nas contas do IEDI, se a produção da indústria continuar crescendo 2% nos próximos meses, que foi a média registrada no primeiro bimestre ante o período imediatamente anterior, excluídos os efeitos sazonais, encerrará 2009 com queda de 4% na comparação com 2008. Mas o economista da entidade pondera que o tombo pode ser maior e chegar a 5%.

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