Projeção pessimista mostra câmbio a R$ 3,20
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Agência Estado 
Rio - As turbulências do mercado financeiro e a crise de credibilidade de grandes corporações americanas têm levado institutos de economia a rever para cima as projeções de câmbio para o ano. As revisões já vinham sendo feitas nas últimas semanas, antes mesmo de o câmbio avançar e romper, ontem, a barreira dos R$ 3,00. Apesar da recente escalada, os cenários ainda apontam para uma taxa em torno de R$ 2,60 em dezembro. Uma das projeções preparadas pelo Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contudo, chega a prever câmbio de R$ 3,20 no fim do ano.
''Não se pode ficar mudando a projeção a cada nova cotação do dólar. Este mercado é muito volátil'', disse o economista Hamilton Kai, do Grupo de Acompanhamento Econômico (GAC) do Instituto de Pesquisa Econômia Aplicada (Ipea). No início do mês, o instituto ampliou de R$ 2,45 para R$ 2,60 a cotação média no ano e de R$ 2,52 para R$ 2,60 a previsão para a cotação em dezembro.
As taxas de fim de ano aumentaram por causa das incertezas financeiras, da indefinição política e da dificuldade que as empresas estão enfrentando para renegociar suas dívidas. Com a redução da rolagem, elas têm de pagar compromissos em moeda forte e compram dólares. A expectativa de redução da taxa até dezembro pressupõe o fim do processo eleitoral e o fato de que as turbulências internacionais não durem até o fim do ano.
Ontem, o economista-chefe da Sociedade Brasileira de Estudo de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Fernando Ribeiro, refez o cenário econômico da entidade. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2002 foi reduzido de 2,2% para 1,9% e o saldo comercial, ampliado de US$ 4 bilhões para US$ 5 bilhões. A taxa do câmbio para o fim de ano, entretanto, que havia sido ampliada de R$ 2,55 para R$ 2,65 em maio, foi mantida no mesmo nível, apesar do avanço da cotação do dólar nos últimos dias.
Segundo Ribeiro, o cenário montado já incluía a possibilidade de repiques da cotação. ''Em primeiro lugar, desde o fim do primeiro trimestre já esperávamos alguma turbulência no sistema financeiro internacional que viesse a explicitar a vulnerabilidade brasileira. Além disso, a partir do momento em que se tiver um sinal mais claro do quadro eleitoral e uma prorrogação do acordo com o FMI, o nível de cotação do dólar pode baixar'', disse o economista.
Já as projeções do Instituto de Economia da UFRJ, divulgadas na semana passada, levam em conta dois cenários. O mais otimista mostra um câmbio também de R$ 2,60 no fim do ano, mas de R$ 3,20 no quadro pessimista. As taxas anteriores eram, respectivamente, de R$ 2,50 e R$ 3,00. As projeções de crescimento de PIB também regrediram, de 1,8% para 1,3% no pior cenário, e de 2,2% para 1,6% no melhor. Conforme o cenário, a taxa Selic ficaria entre 17% e 19% ao ano.


