Projeção para pib global é a pior em pelo menos 4 décadas
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terça-feira, 21 de abril de 2009
Nalu Fernandes<br> Agência Estado 
Washington - De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o sistema financeiro mundial continua sob estresse severo, atingindo economias emergentes e avançadas, sendo que o declínio econômico ganhou fôlego, resultando na ''deterioração dos riscos macroeconômicos''. No Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês), que não contém os dados sobre os PIBs mundiais, que serão divulgados hoje, o FMI antecipou que a ''projeção para o crescimento econômico global para 2009 foi ajustada acentuadamente para baixo para o ritmo mais lento em pelo menos quatro décadas''.
''Como resultado da piora da perspectiva econômica mundial, a deterioração do crédito está se alastrando para ativos de maior qualidade e tornando-se mais espalhada entre setores e regiões'', afirmou o conselheiro e diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais, José ViÀals.
Diante desse panorama delineado, o FMI novamente exorta a comunidade internacional a aprofundar as medidas coordenadas no mundo. O Fundo cita iniciativas do G-20, o aumento dos recursos para seus próprios cofres que foi acertado no encontro de cúpula realizado em Londres, e diz que, apesar das iniciativas mundiais serem ''sem precedentes'', não evitaram a espiral negativa que passou do setor financeiro para a economia real. E, com objetivo de impedir um aumento desses efeitos, o FMI diz que é preciso medidas mais vigorosas, focadas e efetivas para ''estabilizar o sistema financeiro''. Uma condição necessária para uma recuperação durável, reitera ViÀals, é ''curar o sistema financeiro'' e restaurar a confiança no mesmo.
Em particular, o documento do Fundo diz que é preciso que haja rapidez para limpar os ativos problemáticos dos patrimônios dos bancos, fazer a reestruturação dos mesmos, caso seja necessário, e considerar risco de solvência entre outras instituições financeiras, como companhias de seguro e fundos de pensão. Se for constatado que a instituição não é viável, diz o diretor, é preciso rápida solução. Ainda, ele recomenda que os governos verifiquem a consistência das medidas adotadas para evitar ''distorções'' em outras regiões e consequências não desejadas.
O risco de maior contágio para os emergentes é outra razão para a recomendação do FMI para ''uma resposta forte e coordenada'' em escala global para garantir que liquidez adequada esteja disponível.
O FMI, no entanto, apesar das recomendações de adoção de medidas pelos governos, reconhece que essas mesmas medidas - resgate de bancos e pacotes de estímulos - estão aumentando a carga fiscal dos países. ''Os Estados Unidos enfrentam alguns dos maiores custos potenciais da estabilização financeira, assim como inúmeros países com grande setor bancário em relação (ao tamanho) das economias''.
O GFSR, divulgado ontem, tem por objetivo explicar as conexões que transmitem as perturbações de uma região para outra e oferecer ferramentas para supervisão do sistema financeiro pelos governos, para medir o risco sistêmico, uma vez que as inovações financeiras permitiram transferência de risco que não foram totalmente percebidas antes da crise.


