Projeção de safra aponta para 210,3 milhões de toneladas
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A projeção da safra 2015/2016 deve ficar em 210,3 milhões de toneladas no País, alta de 1,3% sobre os 207,7 milhões do resultado de 2014/2015. Os destaques ficam para o aumento da previsão de colheita de soja e de feijão, com reduções de milho e de algodão, além dos preços mais altos neste ano do que no passado. Os números são do 6º Levantamento de Safra, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De um ano para o outro, a expectativa em relação à soja é de alta de 5,0%, de 96,4 milhões para 101,2 milhões de toneladas. Para o feijão, a projeção é de mais 11,1%, de 1,1 milhão para 1,2 milhão de toneladas. Por outro lado, o milho deve diminuir de 84,7 milhões para 83,5 milhões, ou 1,4% a menos. No algodão, a queda é de 4,3%, de 2,3 milhões para 2,2 milhões de toneladas, sempre na comparação da safra anterior com a atual. O motivo é justamente a substituição de parte da área plantada de milho primeira safra e algodão pela soja, conforme a Conab.
O plantio geral deve alcançar 58,5 milhões de hectares no País, aumento de 570,7 mil hectares, ou 1% a mais do que no período anterior. A soja ocupa mais de 56% da área cultivada, equivalente a 1,2 milhão de hectares a mais no mesmo comparativo, ou 3,6%. Já o algodão teve redução de 2,5% (24 mil hectares), principalmente pela substituição de áreas da cultura pela soja na Bahia.
A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) comemorou ontem os resultados, principalmente da soja, durante a divulgação dos dados. "Cada vez mais a soja significa, para o mundo, um produto muito brasileiro e já alcança várias partes do planeta", disse, ao pedir o andamento do projeto de reforma do ICMS para alavancar mais as exportações do grão. "Muitos reclamam, com razão, por que o Brasil exporta tanto grão e não exporta farelo e óleo. Os culpados somos nós mesmos", completou, sobre a proposta que está no Congresso e pede uma alíquota única entre estados.
No Paraná
A Conab divulgou também a estimativa por estados. Para o Paraná, a estimativa é de alta de 0,9% na produção, de 37,6 milhões para 37,9 milhões de toneladas. Economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Marcelo Garrido afirmou que o excesso de chuva durante a colheita, principalmente na região Norte, deve gerar alguma perda. "Os números do Deral sairão no fim do mês, mas perdemos algo em termos de produtividade e qualidade. Até fevereiro, a queda era de 4% na produção", disse.
Para o coordenador técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, os números regionais serão positivos mesmo com pequenas quebras pontuais. Ele estimou uma safra praticamente igual em relação à safra de 2014/2015, de 38,1 milhões de toneladas. "Não tem muito como crescer em área no Paraná, só ocorre uma mudança da soja para o milho primeira safra ou vice-versa", contou.
A boa notícia é o preço bem maior em março deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado. No caso do milho, a média foi de R$ 21,30 há um ano para R$ 33,90 (59%), de R$ 58,90 a R$ 64,50 (9,5%) para a soja e de R$ 31 para R$ 39,50 (27%) para o trigo. "Teremos um aumento da área de milho segunda safra porque o preço está valendo muito a pena e porque estamos exportando muito, o que gera necessidade de mais para abastecer o mercado interno", disse Mafioletti.
Abaixo da expectativa
Apesar do aumento em relação ao ano passado, os números mudaram em relação ao primeiro levantamento da Conab para a safra atual, relativo a outubro do ano passado. A perspectiva era de até 2% a mais na safra de algodão, mas está em queda de 4,3%. Na soja, era de 5,9% maior e está em 5,0%. Por outro lado, a perspectiva de queda de 8,9% no milho se transformou em leve recuo, de 1,4%, assim como a alta de 2,3% no feijão cresceu mais e foi a 11,1%.



