Brasília – O Banco Central projeta uma inflação próxima de 5% neste ano, por causa, principalmente, dos reajustes do preço dos combustíveis e das tarifas públicas. O fato de essa estimativa estar próxima do teto da meta fixada pelo governo fez o BC interromper, na semana passada, a trajetória de queda da taxa básica de juros iniciada em fevereiro.
As informações constam da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que, no último dia 17, manteve os juros em 18,5%. A decisão foi tomada pelos sete diretores do BC (leia ao lado pontos da ata).
Em junho de 2001, o governo fixou meta de 3,5% para a inflação deste ano, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A preocupação do BC, expressa na ata da reunião do Copom, é que a inflação ultrapasse os 5,5% do teto da meta.
O BC quer impedir que a meta seja descumprida pelo segundo ano seguido, principalmente porque o sistema de metas foi adotado há pouco mais de três anos. Em 2001, a meta era inflação de até 6%, mas ela ficou em 7,67%.
Mesmo demonstrando preocupação em evitar o descumprimento da meta, o BC diz que irá perseguir inflação bem acima dos 3,5% fixados pelo governo. Em fevereiro, o BC já havia mudado a condução da política monetária, ao decidir perseguir uma inflação entre 4% e 4,5% neste ano – acima, portanto, da meta. A justificativa era que grande parte do aumento dos preços seria causada pelo reajuste de tarifas públicas e da gasolina, itens pouco sensíveis a elevações de juros.
Diante desse cenário, o BC decidiu reduzir os juros, o que tende a estimular o crescimento da economia – decisão conveniente em ano de eleições. Juros elevados desestimulam empresas a investir e pessoas a consumir, levando ao desaquecimento da economia. Quando a economia cresce menos, as empresas têm menos espaço para reajustar preços, levando a uma freada na inflação.
Segundo o BC, o efeito do aumento de 10,08% no preço da gasolina nas refinarias desde o dia 6 de abril ainda não foi sentido totalmente pelos índices de inflação, por causa da metodologia usada pelos institutos. Por isso, para os próximos meses os índices ainda vão sentir o impacto de um aumento de 4,9% no preço da gasolina para o consumidor.

mockup