Caiu pela metade a projeção de crescimento dos volumes de crédito para este ano, depois da virada no cenário macroeconômico, com o racionamento de energia elétrica, a disparada do dólar, a alta dos juros básicos e o maior risco de inadimplência. No fim de 2000, as estimativas indicavam que até dezembro, o volume total do crédito concedido para os consumidores e empresas teria um aumento de 30% na comparação com o ano anterior. Agora, porém, analistas de mercado e executivos de financeiras acreditam que dezembro vai terminar com um acréscimo de, no máximo, 15% nas linhas de crédito. Esse desempenho, apesar de menor do que o previsto, é significativo e deverá ser garantido especialmente pelo bom resultado obtido no primeiro semestre.
Números consolidados do Banco Central (BC) mostram que, de janeiro a junho deste ano, o saldos das operações de crédito envolvendo pessoas físicas e jurídicas atingiu R$ 186,377 bilhões, com crescimento de 21,06% em relação a dezembro de 2000. Se a perspectiva de fechar o ano com crescimento de 15% se concretizar, os volumes de crédito aprovado deverão recuar no segundo semestre deste ano cerca de 5% ante o nível de junho, prevê o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Adminstração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.
‘‘Tudo indicava que 2001 seria o ano do crédito’’, diz o vice-presidente da Anefac, que revisou a projeções de crescimento de 30% para algo entre 10% e 15%. Ele aponta vários fatores para essa reversão. Um deles é alta da taxa básica para 19% ao ano, que empurra as instituições financeiras para aplicar recursos em títulos públicos (operações de tesouraria), mais rentáveis e com risco praticamente zero de calote.
Além disso, observa Oliveira, com a inadimplência mantendo-se em níveis elevados, as instituições financeiras ficam mais temerosas de emprestar e apertam os critérios para aprovar empréstimos.

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