Guto Rocha
Mais do que uma questão técnica e ambiental, a proibição do plantio de soja transgênica no Brasil deve levar em consideração o aspecto mercadológico que o assunto envolve. A opinião é do ex-ministro e e ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), que é contrário ao cultivo no País de plantas modificadas geneticamente. ‘‘Não vamos exportar soja para os Estados Unidos, que são nossos concorrentes. Temos que nos preocupar com o que a Europa e os países asiáticos querem, e estes países não querem consumir soja transgênica’’, disse.
‘‘A decisão da Justiça de proibir o plantio de soja transgênica foi oportuna, porque ainda falta muita informação sobre o assunto’’, disse. José Eduardo afirmou que os benefícios creditados à biotecnologia ainda são muito discutíveis. ‘‘Não há um redução dos custos de produção e nem aumento de produtividade. E se por um lado o agricultor diminui a aplicação de herbicidas, ele terá uma dependência da semente modificada geneticamente’’, comentou.
O ex-senador defende a união dos produtores de soja para impedir o plantio de soja transgênica no Brasil. ‘‘Caso se decida liberar o cultivo de transgênicos, dificilmente o Brasil conseguirá evitar que este tipo de planta se espalhe pelo país’’, comentou.
Ele acredita que o governo deveria incentivar o cultivo de soja diferenciado do que vem sendo praticado pelos Estados Unidos e Argentina, principais concorrentes do Brasil. José Eduardo observou que só assim os produtores brasileiros terão assegurado fatia do mercado, sem concorrentes. ‘‘O governo também deveria fazer campanhas para que os pequenos e médios produtores produzam a soja orgânica, que tem mercado certo e crescente’’, comentou. Ele observou que o cultivo do grão de forma orgânica demanda mais mão-de-obra que a soja convencional, abrindo frentes de trabalho e fixando o homem no campo.
José Eduardo chama a atenção para o fato de que apesar de o mercado mundial de soja estar com super-oferta, os Estados Unidos ampliaram sua área plantada com o grão. ‘‘Isso pode ser caracterizado como prática de dumping pelos EUA, uma vez que haverá depreciação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros’’, afirmou.

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