Curitiba – A proposta de proibição da comercialização de aparelhos celular pré-pago discutida ontem pelo governo federal, como uma das medidas anti-violência apresentadas pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin, provocou reações nas empresas de telecomunicações que oferecem esses serviços. Elas prevêm prejuízos para os consumidores e para as empresas se a medida for realmente implementada.
Para o vice-presidente da Global Telecom, Ivan Zarur, a telefonia pré-paga no Brasil corresponde entre 60% e 70% dos usuários e o fim desse sistema traria imensos prejuízos às classes sociais C e D. Essas classes têm no celular pré-pago seu meio de comunicação, inclusive para contatos profissionais e geração de trabalho. Essa faixa da população, segundo Zarur, opta pelo pré-pago para não ter a surpresa de mais uma conta no final do mês. Só na Global Telecom, 48% dos clientes são optantes do sistema pré-pago, cuja receita representa 33% do faturamento da empresa.
Zarur acredita que a falta de rastreamento das chamadas, como alega o governador paulista, poderia ser solucionada com a adoção de um cadastro como já se faz com os sistemas pós-pagos, onde o contato entre o cliente e a operadora é feito através da conta mensal. Segundo ele, as operadoras vendem o cartão dos telefones pré-pagos e não fazem o cadastro dos clientes. Segundo Zarur, esse serviço exigiria uma logística e infra-estrutura adicional que implicaria em custos, afirmou.
Para a TIM Celular Sul, está havendo uma confusão entre modalidade de pagamento dos serviços de telefonia celular e cadastramento dos clientes de telefonia celular. Segundo a empresa, a legislação brasileira não obriga as operadoras a fazer o cadastramento dos clientes que compram aparelhos pré-pagos, procedimento já adotado pela TIM.
A TIM acredita que a solução para o problema da identificação dos portadores de aparelhos pré-pagos está nas modificações na forma de cadastrar estes clientes, para facilitar a sua identificação. Isto permitiria manter a modalidade de pagamento que é a principal responsável pela popularização da telefonia celular no Brasil. Na TIM, 59% dos clientes que corresponde a 909,5 mil usuários são adeptos do sistema pré-pago.

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