Renato Stancato
Agência Estado
A proibição da entrada de alimentos transgênicos no Brasil poderá prejudicar a indústria frigorífica brasileira que depende de ração cuja matéria-prima não vai selecionar grãos transgênicos ou não transgênicos. A afirmação é de Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia. Ele participou ontem pela manhã do seminário ‘‘Alimentos Transgênicos: A Realidade Brasileira e o Consumidor Europeu’’, organizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em São Paulo. O seminário reuniu técnicos, representantes de governos, iniciativa privada e Ministério Público.
De acordo com Klotz, o Brasil precisará importar este ano 4 milhões de toneladas de milho. O volume é em razão da estiagem que atingiu algumas regiões produtoras, retardando o plantio e afetando a produtividade de lavouras já semeadas. Ele afirma que os únicos países com disponibilidade para abastecer o mercado nacional são a Argentina e os EUA. ‘‘São países que produzem milho geneticamente modificado há anos e não costumam fazer a segregação de produtos convencionais’’, disse.
Para Klotz, os obstáculos à entrada desse milho poderão comprometer a indústria brasileira, prejudicando o cumprimento das importações programadas pelas indústrias de aves e suínos. ‘‘É preciso refletir se vale a pena matar o rebanho para salvar esta situação’’, disse o empresário.
Legislação O presidente da Abia também criticou o
estado atual da legislação brasileira sobre os transgênicos. O Ministério da Justiça ainda está fazendo consultas para definir uma lei nacional de rotulagem. ‘‘Enquanto isso, São Paulo já adotou uma lei estadual para o assunto’’, disse ‘‘O Rio Grande do Sul, por sua vez, proibiu o cultivo no Estado, e do que jeito que a coisa está caminhando teremos 27 leis diferentes versando sobre o tema.’
A atual indefinição, diz, poderá prejudicar a indústria alimentícia. ‘‘Se algo não for feito para coordenar a legislação terão que ser adotados procedimentos diferentes para cada Estado da federação’’, disse.Segundo Klotz, a indústria alimentícia aprova a rotulagem e um maior estudo sobre o impacto de transgênicos pelo Brasil. Ele afirma, no entanto, que o Brasil pode estar remando contra a maré, ‘‘enquanto o mundo está sendo abastecido de transgênicos’’. ‘‘Pode estar se criando um mito de que os alimentos transgênicos são ruins, e isso não ajuda a discussão’’, disse.

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