A superintendência da Copel em Londrina rebate as afirmações dos funcionários. O superintendente regional de distribuição Norte, Elsson Marcos Spigolon, diz que não há clima de terrorismo, os estoques de materiais, equipamentos e número de equipes disponíveis são suficientes para oferecer um atendimento de qualidade e preço competitivo. Mas admite que pela primeira vez a Copel está fazendo um plano mais amplo de demissões sem justa causa.
O Plano de Ajuste Seletivo do Quadro de Pessoal foi instituído para vigorar apenas este mês. O plano atinge os funcionários que não têm mais função na empresa e também aqueles ‘indesejáveis’, como classifica Spigolon. ‘‘Esses funcionários são aqueles que apresentam baixo desempenho e não estão comprometidos com suas atribuições na empresa’’.
Segundo Spigolon, desde 95 a Copel vem aplicando, administrativamente, planos de demissão incentivada ou de demissão voluntária. ‘‘São instrumentos administrativos que permitem uma compatibilização entre a demanda de trabalho e o número de funcionários. Sistematicamente há mudanças de processos, com aplicação de recursos tecnológicos que, às vezes, implicam na diminuição de mão-de-obra’’, comenta. Para o plano específico para este mês, muitos funcionários estão deixando a empresa porque suas funções estão sendo extintas. ‘‘Como se vê, estamos enxugando nosso quadro desde 95 e até agora a empresa não foi privatizada. Portanto, não é por esse motivo que foi elaborado este plano.’’
O superintendente regional admite que há desconto de 40% do valor da multa do FGTS, que incide sobre o valor das verbas pagas a título de incentivo, como acusam os trabalhadores. ‘‘É o mecanismo de bonificação escolhido pela empresa’’, justifica.
Com os sucessivos planos de demissão e as aposentadorias registradas, a Copel passou de 10 mil funcionários, em 95, para 6.500 atualmente. Na regional de Londrina, que atende 96 municípios, são 720 funcionários e mais 117 terceirizados. Segundo Spigolon, o trabalho na regional poderia ser feito com cerca de 680 dos 720 funcionários contratados. ‘‘Tivemos subestações automatizadas, o atendimento que era de forma personalizada agora é feito por telefone, centralizamos processos’’, diz Spigolon, para explicar a necessidade de enxugamento do quadro de pessoal. A Regional já chegou a ter mais de 1.100 funcionários.
Quanto às reclamações dos funcionários de que está havendo um ‘desmonte’ da Copel, Spigolon é enfático: ‘‘Temos um contrato com o poder concedente – a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Temos obrigações a cumprir, sob pena de sermos multados ou termos o contrato cancelado’’.
Ele informa que a Copel tem um programa de acompanhamento dos trabalhos e os indicadores de qualidade da empresa melhoram dia a dia. ‘‘O tempo de atendimento urbano, segundo ele, está na média de 1h14 e a meta é chegar ao final do ano com a média de 1h06; na zona rural, o tempo hoje é 2h03 e a meta é atingir 1h53’’, exemplifica o superintendente.
Ele reconhece que há demissões de pessoas com bastante tempo de casa, mas diz que isso ocorre porque os demitidos não correspondem mais às expectativas da empresa. E isso acontece, segundo ele, não por falta de incentivos da Copel. ‘‘Oferecemos treinamentos constantes a nossos funcionários.’’ (B.B)

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