Diante do quadro crítico sobre a disponibilidade de energia no País, que se agrava a cada semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica vão lançar esta semana um programa que tem por objetivo reduzir, neste período, a geração de eletricidade das hidrelétricas. Os técnicos querem evitar que os lagos das usinas do Sudeste e Centro-Oeste do País fiquem ainda mais secos.
Por este motivo, serão incentivadas a produção de energia das usinas termoelétricas, a importação de eletricidade do Paraguai e da Argentina e a antecipação do cronograma de entrada em operação de dez unidades térmicas em parceria com a Petrobras e empresas privadas.
No programa de redução do consumo de luz elétrica, as distribuidoras já estão colocando na mídia peças publicitárias que tentam induzir a população a gastar menos eletricidade. Caso essas medidas não surtam o efeito necessário, o governo federal poderá decidir pela adoção do racionamento por determinado período. O plano de racionalização deve ser apresentado ao ministro de Minas e Energia, José Jorge, na sexta-feira, no dia seguinte à reunião dos secretários de Estado de Energia prevista para ocorrer em Brasília.
Como 95% da energia produzida no País é por meio da geração hidrelétrica, a capacidade de armazenamento de água dos reservatórios assume papel importante. Para permitir que durante o período mais seco as usinas continuem produzindo eletricidade é preciso que no período de chuvas os reservatórios armazenem quantidade de água suficiente para atravessar o período seco, que termina em setembro, sem problemas.
Ocorre que nesta época de chuvas, o chamado ‘‘período molhado’’, não tem sido suficiente para encher os reservatórios ou a água das chuvas está caindo fora das bacias hidrográficas. Ou seja, não adianta chover muito na cidade de São Paulo já que as principais hidrelétricas estão situadas no Estado de Minas Gerais.
Uma outra situação é as chuvas intensas nas regiões Norte e Sul do País. As águas ajudam a manter os níveis das usinas hidrelétricas de Tucuruí (PA) e Itaipu (PR) cheios. Porém, as linhas de transmissão não têm capacidade de transportar eletricidade para suprir a falta de energia nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, que passam por dificuldades de geração de eletricidade.
A Região Nordeste apresenta um quadro crítico igual ao Sudeste e Centro-Oeste do País. Técnicos do ONS estão acompanhando o armazenamento das principais represas do País. Enquanto a situação agrava-se nos Estados onde o consumo de energia é mais intenso, há uma expectativa de melhora no Sul e Norte do Brasil. A previsão para as barragens das hidrelétricas da região Sul é de fechar o mês de abril com 84,2% da capacidade de água e, no Norte, com 72,5% de água.

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