Programa quer comprar mais de empresas locais
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terça-feira, 20 de junho de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Aumentar a participação das empresas locais na venda de bens e serviços para o Poder Público é o objetivo do programa "Compra, Londrina", relançado nesta terça-feira pelo prefeito Marcelo Belinati (PP). Estima-se que 63 entes governamentais das esferas federal, estadual e municipal presentes na cidade comprem cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. Somente as compras da Prefeitura somam R$ 450 milhões. E, segundo o programa, apenas 16% (R$ 72 milhões) deste valor são oferecidos por estabelecimentos de Londrina. A meta é elevar essa participação para 80%, ou R$ 360 milhões.
Por meio da iniciativa, desenvolvida em conjunto pela Prefeitura, Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Sebrae, e Observatório de Gestão Pública, serão treinados representantes das empresas para que possam disputar as licitações públicas realizadas na cidade.
Segundo o secretário municipal de Gestão Pública, Fábio Cavazotti, a Prefeitura assumiu o programa como política pública prioritária. Ex-presidente do Observatório de Gestão Pública, Cavazotti acompanha o "Compra, Londrina" desde que foi lançado, em 2010. "Será um dos mais importantes projetos de desenvolvimento econômico da cidade", avalia.
De acordo com Cavazotti, o "Compra, Londrina" já mostrou alguns resultados, mas ao transformar-se em política pública pode "crescer de forma extraordinária".
Uma das principais ações do programa, segundo o secretário, será organizar e divulgar o calendário de licitações dos órgãos públicos da cidade. Na Sala do Empreendedor, no prédio da Prefeitura, haverá pessoas capacitadas para tirar as dúvidas dos empresários que quiserem ter o Poder Público como cliente.
O gerente do Sebrae em Londrina, Heverson Feliciano, conta que integrantes do "Compra, Londrina" visitaram municípios onde as empresas locais têm alta participação nas vendas para a Prefeitura. Um deles foi Três Rios (RJ). "Lá, 92% das compras são feitas nas empresas da própria cidade", afirma. "Vamos capacitar nossas empresas e servidores públicos para que nós também possamos avançar", declara. Ele ressalta que, ao se prepararem para disputar licitações, as empresas se tornam mais competitivas no mercado em geral.
MEIs
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Nado Ribeirete, lembra que a Lei das Micros e Pequenas Empresas (MEI) concede benefícios para incentivar essas empresas a participarem das compras públicas. "Queremos capacitá-las para integrar as licitações em Londrina. Depois de adquirirem essa expertise, também poderão participar fora da cidade", explica.
Ele conta que a Prefeitura de Londrina compra serviços básicos de empresas de outros municípios e até mesmo de outros Estados. "O carnê de IPTU é feito por uma empresa de São José dos Pinhas (Região Metropolitana de Curitiba). Quem vende passagens para a Prefeitura é uma empresa de Brasília", ressalta. "Não é possível que nossas empresas não possam oferecer isso", complementa.
Para o prefeito Marcelo Belinati, o "Compra, Londrina" é um "sonho da sociedade civil" de Londrina. "Sempre houve essa expectativa de que nossas empresas pudessem participar mais ativamente dos processos licitatórios. Hoje, a Prefeitura e outros 62 órgãos compram tudo, de flores a alimentos, fora de Londrina. É dinheiro que vai para fora e poderia ficar aqui."


