Programa Primeiro Emprego pode acabar
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quarta-feira, 03 de outubro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Programa Primeiro Emprego, uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de 2002, será sepultado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, depois de quatro anos de funcionamento. A pretensão é desativar o programa, que dá vantagens a empresas que ofereçam vagas a jovens de 16 a 24 anos, no início do ano que vem. O grande problema para o desenvolvimento do trabalho foi a falta de qualificação dos jovens.
''O jovem não permanecia no emprego por falta de qualificação'', disse a coordenadora da intermediação de mão-de-obra da Secretaria Estadual do Trabalho, Angela de Fátima Grande Carstens. Segundo ela, para as empresas, a dificuldade é a burocracia do programa. Uma das exigências é que a empresa esteja em dia com suas obrigações fiscais. O programa paga R$ 1,5 mil por jovem para os empregadores. Mas, o dinheiro é liberado em seis parcelas de R$ 250. O empregador tem que manter o jovem empregado por, no mínimo, um ano.
Angela lembrou que, no começo do programa, o empresário não podia demitir funcionários pelo período mínimo de 12 meses a contar da data da adesão ao programa. ''As empresas novas e menores geralmente são geridas por jovens e, por isso, simpatizam mais com o programa. Ninguém abre vaga. Só cria quando tem crescimento econômico e investimento'', disse.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, desde que foi lançado, em outubro de 2003, o programa qualificou 726.917 jovens e inseriu 371.600 no mercado de trabalho no País todo. Foram investidos R$ 326,281 milhões no programa. No Paraná, foram qualificados 2.844 jovens e 1.178 conseguiram a primeira oportunidade para trabalhar através do programa. O ministério não tem um levantamento de quantas empresas aderiram ao programa.
O representante da CUT-PR no Conselho Nacional da Juventude, Marco Aurélio Vargas Cruz, disse que a maior parte das empresas quer contratar pessoas que tenham qualificação além de cursos de inglês e informática. No entanto, os jovens de classes mais baixas não têm acesso a isso. Ele lembrou que os governos anteriores não investiam em programas voltados para juventude e acredita que este trabalho ainda pode ter êxito porque ainda está ''engatinhando''.
No Plano Plurianual 2008-2011, as iniciativas para o público do Primeiro Emprego foram agrupadas no Projovem, que, segundo o projeto, receberá R$ 7,4 bilhões no período e beneficiará 6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos.


