Programa não pode substituir reajuste
O programa Plante Milho e Feijão após o Fumo, da Souza Cruz, é interessante porque representa uma forma de o agricultor aproveitar a adubação residual para produzir mais uma lavoura, mas não pode substituir uma política de reajuste de preços. A avaliação é do coordenador do Departamento Intersindical de Estudos Rurais (Deser), engenheiro agrônomo Valter Bianchini.
Segundo ele, as indústrias do setor vem tendo lucro nos últimos anos com o aumento das exportações e a valorização do preço no mercado internacional, mas não estão repassando isto para os fumicultores. De acordo com dados do Deser, de janeiro a setembro deste ano as exportações brasileiras de fumo cresceram 40% em relação ao mesmo período do ano passado e o preço no mercado internacional teve uma valorização de 20% em consequência da frustração da safra norte-americana.
Os fumicultores brasileiros acumulam uma perda de 50% nos dois últimos anos, observa Bianchini. Segundo ele, pelo menos parte desta defasagem deveria ser recomposta na negociação de preços para a safra 96/97, que acontece na próxima terça-feira, dia 17, entre indústrias e fumicultores em Santa Cruz do Sul (RS).
Na última safra, o fumo foi comercializado a R$ 2,00 o quilo, enquanto o custo de produção era de R$ 1,78. De acordo com as indústrias, o custo de produção teve uma ligeira queda em relação à safra passada devido a uma pequena redução no preço dos insumos.
Hoje, de acordo com dados das indústrias, o custo de produção é de R$ 1,75. Diante disso, o sindicato das indústrias de fumo deve levar para a mesa de negociação da próxima terça-feira a proposta de manutenção do preço em R$ 2,00. Ontem, a Associação dos Fumicultores (Afubra) estava reunida para discutir a reivindicação que será encaminhada à mesa de negociação. (E.F.)





