Curitiba - De um lado, pequenos empresários, cooperativas e associações de produtores. Do outro, professores e estudantes universitários e profissionais recém formados. São esses dois grupos distintos de pessoas que o programa Extensão Tecnológica Empresarial, da Universidade Sem Fronteiras, pretende unir. ‘‘Nosso objetivo é difundir conhecimento de tecnologia produzido nas instituições de ensino e pesquisa do estado’’, explica Fernando Gimenez, diretor da Fundação Araucária.
  O programa foi lançado ontem, em cerimônia realizada no Centro de Convenções de Curitiba, pelo governador Roberto Requião e a secretária de Ciência e Tecnologia, Lygia Pupatto. No total, 122 projetos serão implantados em 195 municípios do Paraná. ‘‘São cidades com baixo índice de desenvolvimento humano e áreas de periferia nas grandes cidades’’, diz Gimenez.
  Cada projeto será desenvolvido durante 15 meses e terá R$ 100 mil de orçamento. Há pagamento de bolsa tanto para professores, quanto alunos e profissionais recém-formados. E a assistência oferecida não tem custo algum para os empresários.
  Para Maria de Jesus dos Santos Rosa, de 64 anos, o apoio das universidades pode tornar possível um antigo sonho: profissionalizar o grupo de catadores de recicláveis de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio). ‘‘Como não temos o maquinário, hoje a maioria dos catadores vende para atravessadores que pagam pouco’’, explica.
  Com a implantação do projeto Desperdício Zero, que terá a participação de professores, profissionais e alunos da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), a associação de catadores terá apoio para ir atrás de financiamento. ‘‘Também queremos estimular a população a reciclar, o que irá aumentar nossa produção’’, adianta.
  Para a equipe da professora Roseli Jung Pisicchio, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o desafio é outro: transformar uma horta comunitária em oportunidade de renda para os moradores dos Campos Verdes, bairro de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Oito pessoas, entre elas professores, alunos da graduação e recém formados, irão ajudar a comunidade a se organizar. ‘‘Eles já trabalham com a horta, mas sem apoio técnico’’, explica.
  Também na UEL, o projeto Tecnoleite irá atuar junto a laticínios dos municípios de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana), Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana) e Jardim Alegre (115 k ao sul de Apucarana). ‘‘É um programa que oferece uma oportunidade única para estudantes e recém-formados porque eles contam com o apoio da universidade, mas também têm autonomia para resolver os desafios do dia-a-dia’’, explica a professora Vanerli Beloti.

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