Brasília - O governo já discute a possibilidade de reavaliar os preços dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida para evitar a defasagem de preços e impedir a queda no desempenho de atendimento para seus beneficiários, especialmente no caso dos grandes centros urbanos. Caso seja aprovada, essa atualização de valores só valeria para a segunda versão do programa, o Minha Casa, Minha Vida 2 e não para os contratos atuais já assinados.
A definição do preço dos imóveis utilizados para cálculo de subsídios foi feita em dezembro de 2008 e não sofreu alterações desde então. As construtoras estão pleiteando uma revisão desses valores, principalmente para a faixa de imóveis entre 0 e 3 salários mínimos, justamente a mais popular do programa.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, confirmou à reportagem que estão sendo feitos estudos nesse sentido. Essa discussão, que envolve também a Casa Civil, Ministério da Fazenda e Caixa Econômica Federal, precisa ser feita com cautela para que não aumentar ainda mais o preço do imóvel no mercado. ''O primeiro PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o primeiro Minha Casa, Minha Vida foi um aprendizado. Todo mundo teve que aprender a trabalhar'', disse o ministro para justificar a necessidade de ajustes na segunda etapa do programa habitacional. Fortes, porém, não descartou a possibilidade de negociar caso a caso o preço do empreendimento para viabilização de projetos em grandes centros urbanos.
O Programa Minha Casa, Minha Vida, que completou um ano em abril, tem como objetivo construir um milhão de casas até o final do ano. Até ontem foram contratadas - o que significa em construção ou prestes a iniciar a construção - 520.943 unidades habitacionais no âmbito do programa. A maior parte das concentrações (293.098) foi feita pela população com renda de 0 a 3 salários mínimos.
Em segundo lugar aparecem as famílias com renda entre três e seis salários mínimos, com 162.051 contratações. Já 65.794 unidades foram contratadas para atender brasileiros com orçamento mensal entre seis e 10 salários mínimos. Somente no Estado de São Paulo, segundo balanço do Ministério das Cidades, foram contratadas, para todas as faixas, 104.488 unidades habitacionais. A meta é de 183.995 unidades.
Apesar de ter atingido 52% da meta firmada, Fortes acredita que não haverá dificuldades para se atingir a marca de um milhão. Até porque, considerando os projetos em análise pela Caixa Econômica Federal, se chegaria a praticamente a 950 mil unidades habitacionais. Para o ministro, a contratação do programa não está desacelerando, após o boom inicial. Nos primeiros dois meses de 2010, por conta da sazonalidade do mercado imobiliário, as contratações foram um pouco menor, porém a média mensal de 40.903 unidades não foi diferente do que o ocorrido no ano passado.

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