Programa do MIT para inovação expande atuação para o Paraná
Iniciativa de empresários londrinenses oferece mentoria para escalar startups nas áreas da saúde, agronegócio, educação e indústria 4.0
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terça-feira, 18 de agosto de 2026
Iniciativa de empresários londrinenses oferece mentoria para escalar startups nas áreas da saúde, agronegócio, educação e indústria 4.0

O programa internacional de aceleração de ecossistemas de inovação do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), localizado em Boston, nos Estados Unidos, teve sua abrangência expandida para o Paraná com a instalação, em Londrina, do MIT REAP Paraná (Regional Entrepreneurship Acceleration Program). Apresentada oficialmente nesta terça-feira (18), a iniciativa partiu de um grupo de empresários londrinenses, que também lançaram o IDE (Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Inovador).
O MIT REAP foi criado para auxiliar comunidades e regiões do mundo todo a fortalecerem seus ecossistemas inovação e aceleração econômica por meio do empreendedorismo. O instituto tecnológico tem uma metodologia própria que orienta líderes regionais a diagnosticar os potenciais e falhas sob um modelo de hélice quádrupla, formada por empresas privadas, governo, universidades e empreendedores de capital de risco.
Na prática, o programa de aceleração ajuda a estruturar estratégias de longo prazo para transformar conhecimento científico em tecnologia de mercado e impulsionar startups. “A gente vai tirar as ideias do papel e jogar para o mundo real, que eu acho que é a grande dificuldade de saída hoje que essas empresas têm no Brasil”, explicou o co-champion do MIT REAP Paraná, Mário Marcondes.
Fundador da Conasa Infraestrutura, empresa com sede em Londrina, Marcondes contou que a intenção de trazer o programa norte-americano para o Paraná partiu da necessidade de suprir uma falha que ele observa na grande maioria das instituições de ensino superior. “Em função do modelo de ensino que nós temos, no Brasil, as nossas universidades, em sua grande maioria, ensinam muito mais a teoria do que preparar realmente uma pessoa para ser empreendedor e enfrentar o mundo real. E a lógica que o MIT tem é exatamente o contrário.”
O programa representa um investimento de US$ 425 mil, financiado integralmente pela iniciativa privada. O valor se refere à contratação do MIT. Estima-se, no entanto, que o custo total do programa nos próximos anos chegue a US$ 1 milhão.
Em atividade desde 1861, o MIT desenvolveu a metodologia do REAP para atuar na articulação e na orquestração de cinco atores fundamentais do mercado: empreendedores e cientistas, investidores de capital de risco, governos, academia e médias e grandes corporações, integradas à inovação aberta.
O programa conta também com o suporte dos chamados enablers, os facilitadores, a exemplo do Sebrae, federações e associações de classe, alavancando as vocações econômicas consolidadas no Estado, conforme destacou o champion risk capital do MIT Paraná, Cláudio Leoni Ramos.
A consolidação do ecossistema paranaense terá como eixos prioritários a retenção e a qualificação de talentos, a cultura de dados abertos para balizar a tomada de decisões e a criação de políticas públicas eficazes e a escalabilidade de startups. “O objetivo do MIT REAP é fortalecer para que essas regiões ganhem proeminência não só em seus países, mas no mundo. Várias startups que passam por esse processo escalam de verdade, se tornam unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) e, em alguns casos, se tornam também dolphins (golfinhos), que são ainda maiores que as unicórnios.”
Segundo Marcondes, no Norte do Paraná existem 2,5 mil startups cadastradas pelo Sebrae, mas apenas uma pequena parcela delas decola. “A gente quer aumentar esse número porque existem excelentes ideias, mas o empreendedor não está preparado para tirá-las do papel. Vamos tentar trazê-las para o MIT REAP e ensinar uma metodologia.”
Um comitê seleciona as empresas que irão ingressar na mentoria, com duração de dois anos. Além de avaliar se a ideia atende aos interesses da sociedade, a análise também considera a capacidade de atrair investidores. “Não basta trazer aqui para dentro. Temos que achar, na outra ponta, pessoas interessadas em colocar dinheiro nessa startup para ela escalar.”, explicou Marcondes. As áreas prioritárias são saúde, agronegócio, educação e indústria 4.0, principais vocações da região.
Fundador da Orthodontic, franqueadora da área odontológica vendida ao grupo LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) e founder entrepreneurs do MIT REAP Paraná, Fernando Massi viu na formação do instituto uma oportunidade de aumentar a riqueza da região, fortalecendo o ambiente de negócios. “A gente vê muito produto bom, gênios trabalhando, mas os produtos morrem no ninho pela falta de um bom modelo de negócio. “Nós, que já tivemos sucesso com nossas empresas no mercado, temos uma percepção de como se escala um produto.”
“Aprendi muito cedo, na indústria, que o planejamento é essencial para o sucesso. Quanto mais detalhado for e quanto mais aprimorado o projeto, mais sucesso ele vai ter porque você vai eliminar uma série de obstáculos, mas a nossa região e o Estado são carentes em planejamento, e isso vem há décadas, infelizmente”, disse o founder corporates e presidente do Conselho de Administração da Pado S.A., Alfons Gardemann.
Representante do município de Londrina no programa, o presidente da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Fabrício Bianchi, lembrou sobre o papel do município na modernização do ambiente de negócios e na atração de investimentos. Uma das ferramentas, ressaltou ele, é a atualização de leis locais estratégicas, como a Lei nº 5.663/93, que trata do desenvolvimento econômico de Londrina. “A gente tem o ISS tecnológico, que dá competitividade às empresas e indústrias e é fundamental para criar condições de tornar nosso ambiente mais favorável para receber outras empresas. Se a gente não modernizar as leis, não vai colocar a cidade em outros patamares.”
A instalação do MIT REAP, avaliou Bianchi, é mais um passo para o desenvolvimento regional focado em inovação. “O papel da Codel, por meio, por exemplo, da Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação, é contribuir com essa pauta para que a gente tenha, de fato, uma mudança na matriz econômica da cidade.”
O Paraná integra a 12ª coorte, como é denominada cada turma formada pelo MIT. Além do Estado, também participam do grupo os países Benim e Bulgária, o estado mexicano de Yucatán, a região de Kano-Jigawa, na Nigéria, e o Cantão de Zurique, principal centro financeiro da Suíça. No Brasil, a metodologia já passou pelo Rio de Janeiro e pelo Piauí.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


