Programa deve sanear cooperativas
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso deve anunciar este mês um programa de revitalização das cooperativas agropecuárias, que envolve recursos da ordem de R$ 2,5 bilhões. Cerca de 400 cooperativas serão beneficiadas com a renegociação de R$ 1,7 bilhão em dívidas do crédito rural, outros R$ 300 milhões de dívidas sociais, além de financiamentos para investimentos e modernização.
A promessa de saneamento das cooperativas rurais foi feita pelo presidente Fernando Henrique durante encontro do setor cooperativista em novembro. Um grupo técnico envolvendo representantes dos ministérios da Fazenda e da Agricultura, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outros, estabeleceu as condições necessárias para que as cooperativas se candidatem ao programa, batizado de Recoop.
O comitê-executivo do programa, que deverá ser criado por decreto, terá a função de avaliar os projetos e verificar a viabilidade das cooperativas. De acordo com um dos técnicos que participaram das negociações, até o final de março a cooperativa interessada deverá apresentar seu projeto com as condições necessárias para que possa ser revitalizada. Não será uma simples renegociação, diz o técnico. Haverá fusões, incorporações e liquidações de empresas, além da venda de ativos operacionais.
As cooperativas agropecuárias que estão em dificuldades financeiras poderão ter prazo de até 15 anos para sua reestruturação. Na carta-consulta que apresentarão ao comitê-executivo do Recoop deverão montar um cronograma para a revitalização.
A solução para o endividamento das cooperativas agropecuárias através do Recoop foi negociada com a bancada ruralista e atende um dos bolsões que ficaram fora da securitização das dívidas agrícolas feita em 1995. Como a securitização atingiu apenas os débitos até R$ 200 mil, as dívidas das cooperativas, dos plantadores de soja na Região Centro-Oeste e de arroz no RS ainda precisam ser renegociadas.


