O sentimento comum foi de insatisfação entre os representantes do setor produtivo que participaram da apresentação do Programa de Investimento em Logística (PIL) realizada ontem pelo ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba. As entidades que fazem parte do Fórum Futuro 10 e o governo do Estado acreditam que o Paraná precisaria de um olhar mais atento do governo federal especialmente no que diz respeito ao modal ferroviário.
Uma das reivindicações antigas do Estado é a ampliação da malha ferroviária mas, principalmente, a construção de uma ferrovia que ligue Maracaju (MS) a Paranaguá, projeto que não está contemplado no PIL. No entanto, o ministro Rodrigues disse ontem que quer uma reunião técnica com representantes do setor produtivo do Paraná, para discutir a viabilidade de projetos de ampliação e melhoria de infraestrutura no Estado desenvolvidos pelo Fórum Futuro 10.
Dos investimentos confirmados e divulgados pelos Ministério dos Transportes, Ministério do Planejamento, Secretaria Especial de Portos, o Paraná teria uma fatia de apenas R$ 9 bilhões de um total de R$ 198,4 bilhões para o País. O principal lote de obras no Estado deve promover melhorias nas BRs 476/ 153/ 282/ 480, com início na Lapa (PR), passando por União da Vitória (PR) seguindo até a divisa com Santa Catarina. O projeto prevê a interligação deste trecho em território catarinense, passando por Chapecó, até a divisa com o Rio Grande do Sul, o que unirá o sul do Paraná ao oeste catarinense. A extensão total é de 460 quilômetros e o valor estimado para as obras é de R$ 4,5 bilhões pela iniciativa privada.
Além disso, há R$ 2,5 bilhões para a duplicação da BR-116 entre o Paraná e o Rio Grande do Sul. Outro trecho em análise também envolve a ligação entre Curitiba e Santa Catarina pelas BRs-101, 376 e 116 com investimento de R$ 900 milhões para criar faixa adicional.
Segundo informações da Secretaria de Portos há quase R$ 1 bilhão previsto para arrendamento em seis terminais no Porto de Paranaguá e R$ 103 milhões para a construção do Terminal de Uso Privado (TUP) em Pontal do Paraná. Em ferrovias, o Ministério dos Transportes apenas divulgou que haverá investimentos em concessões já existentes no Paraná, mas não detalhou números.
"Não vai parar nenhuma obra. O cobertor está curto, mas ninguém vai passar frio", disse o ministro. Ele acredita que o escândalo envolvendo empreiteiras na investigação da Lava Jato não deve afetar as obras. "O número de empresas envolvidas na Lava Jato é muito pequeno para o número de empresas que temos no Brasil", disse.
"Temos que acreditar que o plano apresentado pelo Fórum Futuro 10 vai ser atendido pelo Ministério. Vejo o ministro bem intencionado, mas o Paraná precisa de algo mais", disse o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.
Para o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o PIL traz "muito pouco da necessidade que o Paraná e o Brasil precisam em infraestrutura e logística". "O ministro abriu o diálogo, mas a gente está com muito diálogo nos últimos tempos. Muda o ministro e os técnicos e os projetos não andam", disse. Ele disse que espera que o ministro consiga colocar em prática o programa.
"O Paraná foi esquecido neste primeiro momento", disse o presidente da Fetranspar, Sérgio Malucelli. Mas, considerou positivo o ministro dar a oportunidade de incorporar novas obras no PIL. "Esperamos que seja reanalisado", afirmou.

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