Curitiba - Investir em ações, participar de pregões, acompanhar o desempenho da bolsa de valores... Tudo isso ainda é uma realidade distante para a maioria dos brasileiros. E não só por falta de dinheiro. A maioria das pessoas desconhece o que é o investimento em ações e muito menos que é acessível a qualquer renda. No intuito de popularizar o mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) criou há um ano um programa que leva a bolsa de valores até possíveis investidores. No Paraná, a primeira palestra foi dada ontem em Curitiba para trabalhadores da Impressora Paranaense, fábrica de rótulos e cartuchos impressos do grupo de embalagens Dixie Toga.
''Nosso objetivo é explicar para as pessoas o que é investir na bolsa, quais as vantagens, quais os riscos e que qualquer pessoas pode fazer'', explica o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho. Segundo ele, o programa, conhecido como ''Bovespa vai até você'', já vem apresentando bons resultados. De dezembro a janeiro de 2002, o percentual de pessoas físicas investidoras na bolsa de valores era de 20%. Em setembro deste ano esse índice já é de 27%. As palestras na empresa curitibana fazem parte de uma remificação do programa, que chama-se ''Bovespa vai à fábrica''.
Os investimentos de pessoas físicas são feitos por meio de clubes, nos quais pessoas interessadas em aplicar uma parte da sua renda na bolsa se unem e investem. Magliano Filho garante que o capital pode ser de qualquer valor e citou, inclusive, um exemplo de um grupo onde as pessoas investiram cerca de R$ 30 cada. ''É preciso estar consciente que esse tipo de aplicação é rentável a longo prazo e possui um certo risco. E é por isso que nós estamos fazendo questão de esclarecer todas as dúvidas e deixar bem transparente como funciona esse mercado''.
O montante de aplicações na bolsa de valores no Brasil hoje é de cerca de R$ 1 bilhão. Magliano Filho diz que ''isso é pouco e que a perspectiva é que em seis meses esse valor pule para pelo menos R$ 2 bilhões''. Hoje, 380 empresas têm as suas ações negociadas na bolsa. Segundo Magliano Filho, esse número também pode ser ampliado. ''Com a queda dos juros, a economia está caminhando para uma melhora e nosso objeto é que pelo menos mil empresas abram seu capital na bolsa''.

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