Empresários do ramo varejista de combustíveis têm se queixado, repetidamente, que as margens de lucro do negócio são pequenas e os ganhos, cada vez menores. Muitos donos de estabelecimentos reclamam, a cada nova alta do produto, que a rentabilidade só tem caído. Apesar disso, o número de novos estabelecimentos só tem crescido. O Paraná tem hoje 2.273 postos de combustível – 379 a mais do que em 1996.
Em Curitiba, existem 364 postos e, em Londrina, são 106. No ano passado, eram 330 e 94, respectivamente. Neste ano, foram liberados 12 alvarás de funcionamento em cada uma das duas cidades. Já o Brasil possuía 20 mil postos no início da década e hoje tem 29 mil.
O presidente do Sindicombustíveis/PR, Roberto Fregonese, argumenta que o aumento do número de postos é justamente o que faz a venda despencar, obrigando os empresários a aumentar os preços para compensar a redução das vendas. ‘‘Diminui a galonagem e o posto tem que cobrar mais para sobreviver’’, afirma o representante dos empresários do setor.
Esta é a mesma alegação da maior parte dos proprietários de postos quando são questionados sobre as altas seguidas. Muitos afirmam que não têm tido lucro e preferem manter seus nomes em sigilo para ‘‘não prejudicar ainda mais os negócios’’.
A estrutura de revenda está crescendo, na opinião de Fregonese, porque as grandes distribuidoras investem pesado a fim de tentar ocupar todos os espaços do mercado e impedir, assim, o crescimento das pequenas. ‘‘A Repsol, que representa a YPS, está chegando no Brasil agora. A Agip já comprou 285 postos em Minas Gerais e deve investir no Sul’’.
Embora não tenham autorização para administrar postos de combustíveis, Fregonese calcula que 35% dos estabecimentos brasileiros sejam de distribuidoras, que operam com varejistas de fachada. ‘‘O setor está quebrado. Cerca de 60% do segmento está endividado. Não existe dono de posto abrindo novas revendas, a não ser quem está tendo lucro fácil através de sonegação fiscal e adulteração de combustível’’, acusa.
A maioria dos empresários sem experiência no ramo – os ‘‘calças brancas’’, no jargão do meio – entra no negócio iludido e se decepciona, segundo ele. ‘‘Muito gerente de banco perdeu dinheiro ao se aventurar no segmento’’, conta. Em janeiro de 2002, o mercado será liberado e as distribuidoras poderão importar produto diretamente de qualquer empresa. ‘‘Com isso, 40% dos postos do Brasil vão fechar’’, prevê.
Segundo o sindicato do setor, a rotatividade no negócio é grande. ‘‘Cada vez que faço uma assembléia, não conheço metade dos posteiros’’, observa Fregonese. A delegacia do sindicato em Londrina contabilizou 34 trocas de comando em 17 postos da cidade somente no último ano.
Os empresários de Curitiba têm situação mais cômoda em relação a Londrina e São Paulo, por exemplo. A média de venda dos postos na capital paranaense é maior, viabilizando preços mais baixos ao consumidor final. Enquanto a média da capital paranaense é de 180 mil litros por mês, em São Paulo os posteiros vendem mensalmente 150 mil litros e, em Londrina, apenas 110 mil litros/mês.
Na grande São Paulo existem atualmente 2.900 mil postos e, em todo o Estado, 7.500. Apesar de vender menos do que Curitiba, o preço médio da gasolina na capital paulista é R$ 1,49. Em Curitiba, o preço varia de 1,34 a R$ 1,50. Já o valor médio em Londrina passou a R$ 1,57 nos últimos dias, mas chegou a R$ 1,64 no mês passado, logo após elevação do preço nas distribuidoras.
Fregonese diz, porém, que os números de São Paulo não são fiéis por haver muito produto contrabandeado naquele estado. Afirma, ainda, que o gás também é representativo nas vendas da capital paulista. ‘‘Eles podem vender menos gasolina porque contam com mais um item de vendas’’.
Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de São Paulo, o gás natural não tem tanta representatividade assim no faturamento do setor porque o produto só é vendido em 15 postos, ainda com penetração tímida no mercado. São Paulo enfrenta hoje problemas com sonegação de impostos e adulteração de combustíveis, segundo a entidade. Práticas que contribuem para diminuir os preços.

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