Curitiba - Agora é a hora dos profissionais se prepararem para o ''reinício da economia global'' que deve começar dentro de, no máximo, dois anos com a recuperação dos Estados Unidos e dos países europeus em crise. O head hunter Bernt Entschev prevê que, até lá, ''aconteça um surto de crescimento da economia mundial.''
Ele destacou que a crise pegou o Brasil com baixo endividamento e ''caixa cheio''. Além do Brasil, os outros países dos Bric's (Rússia, Índia e China) viraram a ''menina dos olhos'' do mundo. Entschev acredita que depois da crise vai haver mais demanda por trabalho para os brasileiros, o que deve fazer os outros países ''importarem'' profissionais do Brasil. Com isso, o mercado interno ficará com carência de trabalhadores, o que deve fazer os salários serem mais valorizados.
Por isso, ele defende que agora é a hora dos profissionais se prepararem para o crescimento da economia. Hoje, já há algumas lacunas no mercado de trabalho que são difíceis de preencher como a dos profissionais que ganham até R$ 1 mil e as vagas de engenheiros, profissão que vai continuar a ser extremamente valorizada nos próximos anos. Hoje, o mercado quer engenheiros com formação em gestão e que dominem línguas.
O profissional do futuro precisará ter capacidade de liderança, entendimento da cultura da empresa para a qual trabalha e o país no qual a organização atua, além da habilidade de trabalhar globalmente. Neste quesito de liderança será muito valorizado o funcionário saber enxergar o panorama da situação da empresa, articular os colegas para que compartilhem dessa visão e implementar isso na companhia toda. A habilidade de implementar mudanças dentro das companhias também será muito valorizada.
Para o vice-presidente para as Américas da rede de executive search AIMS International, John Poracky, existe hoje um intervalo entre quem está se aposentando e quem está começando a atingir cargos de gerência. ''Nesse intervalo, as empresas precisam investir bastante'', disse. E não há pessoas qualificadas para preencher esse espaço.
Segundo ele, os profissionais mais procurados hoje são os que têm experiências profissionais sólidas e não apenas boas universidades ou o país onde nasceu. O presidente mundial da AIMS, Rolf Heeb, disse que a graduação é mais importante no início da carreira para poder ingressar nas empresas. Para os que já possuem experiência, o fundamental é o histórico da carreira.
De acordo com Heeb, o ideal é o profissional ficar os cinco primeiros anos em uma empresa, depois disso ingressar na segunda e, aos 40 anos, começar na terceira companhia.
A AIMS International, que tem sede em Viena (Áustria), realizou na última semana um encontro anual em Curitiba com representantes de mais de 30 países para discutir entre outros temas, o reinício da economia global e a ascensão dos países do BRIC.

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