Profissionais descobrem novos mercados
Profissionais descobrem novos mercados
Olhos abertos e alerta ligado sao pré-requisitos para quem quer criar novidade, mudar de ramo ou reforçar a renda
Bete Fagundes
Milton DóriaGrande sacadaLuzenira e Helena implantaram um serviço inédito: bibliotecária nao serve apenas para fazer arquivo Existem pessoas com talento para procurar e descobrir brechas que ninguém vê no mercado. Ou trocar de atividade quando o trabalho já nao rende mais como antigamente, nem justifica maiores esforços. Sao pessoas que se destacam principalmente pela autoconfiança, que criam serviços diferentes ou faturam em terrenos pouco explorados.
Luzenira e Helena ruminaram por mais de seis meses a idéia de (re)entrar no mercado de trabalho com uma nova perspectiva de vida, oferecendo um serviço inédito em Londrina: a organizaçao documentária para profissionais liberais e empresas em geral. Elas querem ser mais que simples funcionárias.
Quando pesquisaram e descobriram que praticamente 100% dos médicos e advogados, dos empresários e dos órgaos ou instituiçoes ainda se perdem no meio da papelada, totalmente alheios à era da informatizaçao, elas abriram a Progresso Brasil.
Luzenira lembra que durante a pesquisa, feita por elas no ano passado, o Sebrae atestou a descoberta, informando que nao havia na cidade nenhuma empresa do gênero. Pelo que sabemos, somos as únicas na área, até hoje. Elas têm uma lista de empresas de médio e grande portes - e de médicos e advogados, dentistas - que comprovam: ninguém da cidade tem um acervo organizado de acordo com as normas técnicas.
Formadas há apenas um ano em Biblioteconomia pela Universidade de Londrina, mas com a experiência de quem já fez parte do quadro de pessoal de empresas e instituiçoes de ensino, por um longo período, Luzenira e Helena contam que já se sentiam cansadas (desestimuladas) e só pensavam em abandonar o convencional da profissao.
Com um pequeno investimento (cerca de R$ 1 mil) na formaçao da empresa, que por enquanto funciona na residência de Luzenira, as duas partiram para os primeiros contatos informais no mercado. Foi quando constataram que o cliente em potencial, seja lá de que área for, ou setor, nao sabe nada de Biblioteconomia e organizaçao documentária.
O índice de conhecimento na cidade é zero, revela a dupla, dizendo que os mais necessitados sao as empresas de médio e grande portes. Sao elas que trabalham com tecnologia, que pagam por essa tecnologia e que precisam incorporá-la ao patrimônio para nao perderem nem tempo nem dinheiro, comenta Luzenira, autora de uma monografia sobre esse mercado de trabalho em Londrina. E o empresário pode ter isso a um preço baixo, completa.
Em contatos com o público alvo, Luzenira e Helena sao constantemente interrogadas sobre a natureza do trabalho, a finalidade e os custos. Eles fazem mil perguntas porque estao desinformados e até porque pensam que se trata de alguma abordagem do fisco. Os que têm um pouquinho de conhecimento sobre a área imaginam que o bibliotecário só serve para arquivar ou recortar jornais, observa Helena.
Com as explicaçoes - continuam - o empresário passa a demonstrar um certo interesse e até aceita a elaboraçao de um orçamento. Nessa etapa da conversaçao, as duas deixam claro que todo o trabalho contratado vai depender da vontade e das necessidades do cliente. O arquivo ou a biblioteca eletrônica tem que ter a cara do dono; ele é quem decide a forma de organizaçao, explica Helena, acrescentando que a elas cabe a catalogaçao do material dentro das normas.
Computadores, máquinas de escrever, fichas de arquivo - o empresário entra basicamente com esses instrumentos na contrataçao do serviço, enquanto elas sao a própria ferramenta de trabalho com os seus códigos de catalogaçao. A dupla está entusiasmada. Só falta o retorno. Nem temos ainda um número de contratos fechados, mas acreditamos nesse projeto e sentimos que o retorno logo virá, fala Luzenira.





