Professor vê risco de contaminação
O professor de termodinânima José Walter Bautista Vidal é um dos principais estudiosos de matriz energética no Brasil. Em seus sete livros sobre o assunto, Vidal apresenta alternativas para geração de energia ‘‘limpa e barata’’ a partir da biomassa. Ele foi Secretário de Tecnologia Industrial e idealizador do programa de incentivo ao álcool combustível (Proalcool). ‘‘A produção nuclear está sendo abandonada na maioria dos países em função dos problemas de segurança, contaminação e custos elevados; não faz sentido algo assim no Paraná que é um Estado limpo e com grande potencial energético’’, afirmou.
Além do potencial hidrelétrico do Paraná, Vidal cita como alternativa a produção de termoenergia. ‘‘Para isso é necessário que o Estado recomponha suas florestas, que foram dizimadas nas últimas décadas de maneira bárbara para plantarem capim’’. O professor defende que a principal fonte de energia do próximo milênio será a biomassa, em usinas para atendimento de demanda local. ‘‘Cada município pode ter sua fonte energética, com base em florestas ou restos da agricultura, que são renováveis e de baixo custo, terminando com os megaempreendimentos’’, defende.
Um exemplo da nova concepção de produção energética está no município de Sevilha, na Espanha. A administração local possui uma termoelétrica que abastece toda a cidade com a queima de resíduos de olivares. No Brasil existe tecnologia para explorar restos de culturas agrícolas para geração de energia elétrica e óleos vegetais para motores a combustão. ‘‘O desenvolvimento sustentável está ligado diretamente à questão energética, só haverá desenvolvimento no Brasil quando isso for compreendido’’, e conclui: ‘‘Não precisamos continuar agindo como colonos que dependem sempre de fontes e tecnologia para produção de energia importada de outros países, principalmente quando os sistemas estão sendo abandonados’’.

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