Professor defende a agricultura orgânica no PR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Se a agricultura mundial continuar no caminho que está, somente os grandes produtores vão sobreviver e às custas de um impacto bastante prejudicial ao meio ambiente. Essa é a idéia que o professor doutor em Agroecologia da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), Miguel Altieri, defendeu em sua palestra para técnicos da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), ontem em Curitiba.
O especialista é defensor da agricultura orgânica e veio falar sobre o assunto em Curitiba porque a Emater e o Iapar estão lançando o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia, que deve ocupar uma área de 1,5 mil hectares na Grande Curitiba.
Altieri defendeu a agricultura de subsistência (a agricultura familiar) como a melhor forma de cultivo. Isso porque são em geral policulturas, que podem usar substâncias naturais de cada tipo de planta no combate a pragas, que seria justamente a agroecologia. Para o professor, o uso de fertilizantes e defensivos agrícolas sintéticos só prejudica o solo e encarece a produção. Para ele, é possível que grandes produções façam a mudança da agricultura convencional para a orgânica. O centro vai ter projetos de pesquisa, ensino e inclusão voltado para pequenos, médios e grandes produtores.
O professor diz ser veementemente contra os transgênicos. Segundo ele, ainda não foi comprovado que as plantas geneticamente modificados não trazem mal à natureza e que usar essas sementes é só uma forma irreversível de prejudicar o solo. Além disso, Altieri disse que os transgênicos afetam a fauna e que insetos podem ser um meio de difusão da semente prejudicando outras plantações e até outros animais, sendo muito mais difícil de reverter do que o uso de pesticidas químicos. ''A agricultura que usa a biotecnologia não é capaz de existir com a agricultura normal. Isso só vai beneficar os grandes produtores'', enfatizou.
As primeiras plantações do centro sob a orientação do professor devem ocorrer em volta da área de proteção ambiental do Rio Iraí e também na Penitenciária Central do Estado (PEP) e no Hospital Psiquiátrico Adalto Botelho. ''A idéia é capacitar os presos e, no hospital, usar o plantio como terapia'', explica o pesquisador do Iapar, Airton Brisolla.


