Londres - O que significa, na prática, o ''desenvolvimentismo'' defendido por ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que levaria o País a taxas de crescimento econômico em torno de 5% já no próximo ano e, ao mesmo, manteria intactos os pilares de austeridade fiscal e do controle inflacionário? A pergunta é do professor da universidade britânica London School of Economics, Francisco Panizza. Ela reflete o grau de curiosidade - e alguma apreensão - com o tema entre analistas estrangeiros.
''Ainda não está claro o que eles querem dizer com desenvolvimentismo. Afinal, o que significa isso?'' Panizza citou a questão da redução de juros, que vem sendo martelada pelos desenvolvimentistas. ''Mas os juros estão numa trajetória descendente, que deve continuar, e não há muito que se fazer nessa área, a menos que se resolva colocar em risco a inflação, o que obviamente seria temerário'', argumentou.
Outro aspecto do ''desenvolvimentismo, destacado por Panizza, seria o maior controle dos gastos públicos, liberando mais verbas para investimentos. ''Isso é positivo, mas não é fácil cortar despesas no Brasil, pois é necessário se contrariar muitos interesses políticos'', disse. ''E a verba não seria suficiente para causar um boom na economia brasileira no curto prazo.''
Para Panizza, os nomes que integrarão a equipe econômica serão um dado fundamental para se começar a ter uma noção mais clara da estratégia para a economia a ser adotada no segundo mandato de Lula. ''Mas crescimento maior e sustentável não virá de uma hora para outra'', disse.''

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