Professor da FGV critica carga tributária excessiva
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domingo, 04 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A elevação da carga tributária brasileira para 40,01% do PIB no primeiro trimestre ante uma taxa de 39,95% no mesmo período do ano passado foi duramente criticada sábado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Geraldo Gardenali. Segundo o professor, a carga tributária acaba produzindo muitas distorções no sistema econômico. ''Impede o desempenho do mercado de capitais, descapitaliza as empresas, eleva a informalidade, gera passivos fiscais elevados pelas empresas que são autuadas e impedidas de contraírem empréstimos'', afirma o economista.
Na avaliação de Gardenali, uma carga tributária elevada desestimula os projetos de investimentos. ''Como o País pode crescer de forma sustentada se não há investimentos?'', questiona. Para ele, muito deste aumento está ligado à elevação da Cofins. ''O pior é que os empresários avisaram que a mudança resultaria no aumento da carga tributária e o governo insistiu que não. Isso afeta a credibilidade'', afirma o professor da FGV.
Gardenali lembra que no passado, quando se discutia carga de impostos, falava-se taxas de 20% do PIB para países não desenvolvidos e de 30% a 35% para os desenvolvidos. ''Neste País, o problema é que os impostos que constituem uma base maior de arrecadação são os regressivos, cujas as taxas são iguais para ricos e pobres. Em outros países, especialmente os desenvolvidos, a estrutura tributária tem como base impostos progressivos, que incidem sobre o rendimento. Desta forma, quem ganha mais paga proporcionalmente mais'', afirma o professor.


