Proer já liberou R$ 21 bilhões desde 95
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terça-feira, 20 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Do total de R$ 21 bilhões que o Proer (programa de socorro aos bancos privados) liberou desde que foi criado, em novembro de 1995, apenas R$ 1,2 bilhão foi recuperado, em dinheiro, pelo governo. Essa parcela, que representa 5,71% do total emprestado aos bancos, corresponde aos recursos recebidos pelo Banco Central com a venda das ações do Banco Nacional, adquirido pelo Unibanco.
O Proer também já recuperou R$ 13,2 bilhões em títulos, entregues como garantia dos empréstimo. Isso significa abatimento da dívida federal. Como o Proer aceita títulos podres - de pouca aceitação no mercado e negociados com desconto sobre seu valor nominal - em garantia dos empréstimos, é natural que os pagamentos em dinheiro sejam minoria. O Proer ainda tem a receber R$ 9,7 bilhões. Esse valor corresponde aos R$ 6,6 bilhões restantes emprestados e ainda não pagos mais R$ 3,1 bilhões de juros.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou ontem que a crise asiática confirmou que o Proer foi decisivo na redução dos riscos do sistema financeiro nacional. Segundo Mendonça de Barros, este ano o principal instrumento do programa de reestruturação do setor financeiro em curso será o Proes (programa de socorro aos bancos estaduais).
Os acordos de renegociação das dívidas estaduais que serão fechados este ano implicarão a privatização e reestruturação dos bancos, ou sua transformação em agências de desenvolvimento. Mendonça de Barros afirmou que, para viabilizar esses processos, o Proes liberará recursos consideráveis.
O secretário afirmou, ainda, que, com a melhora do perfil dos créditos públicos, aliada a estabilização, o governo está esperando que o sistema bancário aumente o seu volume de financiamentos. Com isso, a expectativa é que os custos dos empréstimos caiam. As linhas que devem ser mais facilitadas, segundo o secretário, são as imobiliárias e ao consumidor.
Desde a implantação do Plano Real, o total de instituições financeiras operantes no País passou de 271 para 248. Essa redução tem sido acompanhada de uma queda da participação dos setor financeiro no PIB (Produto Interno Bruto).
Em 1994, essa participação correspondia a 12,37% do PIB. Em 1995, a participação baixou para 6,94% do PIB. Este ano, segundo Mendonça de Barros, a participação deverá ficar entre 3% e 5% do PIB. Mendonça de Barros argumentou, ainda, que outro fator de solidez do sistema financeiro nacional, em comparação com os bancos asiáticos em crise, é o seu grau relativamente baixo de alavancagem (capacidade do banco emprestar além de seu patrimônio).
De julho de 1994 a outubro de 1997, a alavancagem média dos bancos no País passou de 5,1 vezes para 4,6 vezes. Os bancos públicos, entretanto, aumentaram sua alavancagem para 6,9 vezes. A alavancagem mostra o risco do sistema financeiro.


