Produtos supérfluos voltam aos lares
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Carlos Franco e Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - O crescimento da economia em 2004 teve um impacto positivo para o segmento de bens de consumo não duráveis, com a maioria dos lares abrindo as portas das geladeiras e das prateleiras para o que, em 2003, foi posto de lado, com a pecha de supérfluo. A conclusão é de estudo do LatinPanel, maior instituto de pesquisa de consumo domiciliar da América Latina, que reúne Ibope, TNS e NPD.
O estudo revela que 3,2 milhões de lares voltaram a comprar produtos supérfluos (não incluídos na cesta básica) ao longo de 2004, consolidando crescimento de 9 pontos porcentuais de penetração em relação a 2003 na média de todas as faixas de renda, com maior destaque para as mais baixas.
Os dados, que representam 82% da população brasileira e 86% do potencial de consumo, mostram que a retomada do consumo foi mais intensa nas classes D e E. Ana Cláudia Fioratti, diretora comercial do LatinPanel no Brasil, sublinha que, do total de lares que voltaram a consumir supérfluos, entre os quais cereais matinais, bebidas à base de soja, suco pronto para beber e iogurte, 2,2 milhões de lares são das classes D e E. São esses que corresponderam ao crescimento de 13 pontos porcentuais na base. Esse fenômeno foi verificado na classe C, em menor escala.
''Isso mostra que o aumento de renda durante o ano, por meio do crescimento da massa salarial, foi canalizado para os bens de consumo não duráveis. E revelam também que as classes C, D e E voltaram às compras com a melhora na economia'', diz Ana. ''O que é fundamental para as indústrias, uma vez que as três classes juntas representam 71% do consumo no País'', acrescenta.
São muitos os produtos que fazem parte da lista dos supérfluos, mas os principais destaques, além dos mencionados por Ana, são: massa instantânea, cerveja, creme de leite, salgadinhos semiprontos, pós-xampus, amaciantes de roupa, desodorantes, deocolônia e tinturas para cabelo.
O Latin Panel aponta ainda que o gasto médio do brasileiro cresceu 4% no ano passado, aí incluídos também os produtos da cesta básica. O tíquete médio das compras - o valor deixado nos caixas do varejo - aumentou 3%, mas o brasileiro, diz Ana, não faz mais as famosas compras de mês.
''O consumidor não tem mais o hábito de estocar alimentos, ao contrário procura promoções e busca também novos canais de venda, a exemplo de farmácias e mercearias''. O consumo do supérfluo também está relacionado a maior oferta de marcas de produtos nas prateleiras, disputando a sua preferência.
Crescimento - O diretor de marketing da AC Nielsen, Mário Lynch, afirmou que o consumo no Brasil de produtos de massa - basicamente formados por mercadorias não duráveis, como alimentos, bebidas e linha de higiene e limpeza - deverá crescer 5% este ano, ante uma expansão de 3,5% registrada em 2004. ''Essa evolução é reflexo do desempenho positivo da economia, que cresceu 5,2% no ano passado e deverá exibir uma expansão próxima em 2005, de 4%'', comentou.
Para Lynch, a recuperação da renda da população no ano passado fez com que um fenômeno de mercado surgisse pela primeira vez desde 1995: procura por produtos que apresentavam preços atraentes e boa qualidade. ''Neste ano, deverá ser intensificada essa prática, o que levará os fabricantes de produtos desse segmento a aumentarem seus investimentos em tecnologia e processos industriais mais eficientes, que implicarão inclusive na redução de custos'', comentou.


