São Paulo - Para o café da manhã ou lanche da tarde, pães, manteiga, presunto, queijo, maionese, leite. Como cada membro da família come em horários diferentes, os produtos ficam sobre a mesa por cerca de três horas. Depois, são recolocados na geladeira, onde houver espaço.
Se a cena descrita acima faz parte da rotina de sua casa, está na hora de mudar seus hábitos. Você é um forte candidato a sofrer de doenças cujos nomes causam arrepios: salmonelose, estafilococcia, toxinfecção por clostridium, campilobacteriose. Todas são conhecidas como Doenças Veiculadas por Alimentos (DVA).
''Não basta apenas verificar o prazo de validade no supermercado dos produtos perecíveis. Os enlatados ou acondicionados em vidros se deterioram rapidamente quando manuseados e armazenados de forma incorreta pelo consumidor'', alerta Rui de Andrade Damennhain, diretor do Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária (Inbravisa).
De acordo com o especialista, cuidados básicos podem evitar graves problemas de infecção e contaminação. A começar pelo manuseio desses alimentos. ''Muitas pessoas abrem o vidro da maionese, por exemplo, e deixam o produto durante horas em cima da mesa. Está errado. Depois que a tampa de qualquer alimento perecível é aberta, o produto não pode passar mais de duas horas em temperatura ambiente. O mais aconselhável é separar a quantidade a ser consumida e deixar a embalagem na geladeira'', comenta.
Damennhain ressalta que o cuidado deve ser redobrado com enlatados, como leite condensado e legumes em conserva. ''Depois de abertas, essas embalagens podem sofrer oxidação, o que contamina o alimento. Se o conteúdo da lata não for usado completamente, é necessário colocar o restante num pote de vidro ou de plástico e guardá-lo na geladeira.''
Cuidados na compra - Segundo Renata Molina, técnica do Procon, a precaução no uso de alimentos perecíveis deve começar no supermercado. ''Não basta apenas olhar a data de validade. O consumidor deve ficar atento também às recomendações de armazenamento do produto depois de aberto. Além disso, os dados gerais do fabricante, como endereço e CNPJ, devem constar da embalagem. Sem essas informações, é melhor nem comprar'', afirma.
Renata lembra, no entanto, que os produtos enlatados geralmente não apresentam a orientação de armazenar o alimento em outro recipiente quando a embalagem é aberta. ''Se o consumidor tiver algum problema por causa disso, deve procurar o Procon.''

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