Produtos industriais sobem menos e IGP-DI cai para 0,93%
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Das agências 
Rio de Janeiro - A desaceleração dos produtos industriais no atacado reduziu a inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) para 0,93% em março, ante 1,08% em fevereiro. O coordenador de Índices Econômicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, considera a queda uma boa notícia ''porque os industriais no atacado são a parte do índice mais sensível à política monetária e os números mostram que o IPA industrial entrou em ciclo de desaceleração''.
O Índice de Preços por Atacado (IPA-DI), com maior peso no cálculo do IGP-DI, caiu para 1,09% em março, ante 1,42% em fevereiro. O IPA industrial ficou em 0,94%, ante 2,29% no mês anterior. Houve desaceleração de produtos importantes como metais não ferrosos (5,17% em março, ante 7,5% em fevereiro), mecânica (1,92%, ante 2,77%) e eletrodomésticos (-1,88%, ante alta de 3,81%). Combustíveis e lubrificantes registraram deflação de 3,95%.
Já o IPA agrícola subiu para 1,48%, ante -0,76% em fevereiro, por causa de choques de oferta em produtos importantes como soja e milho. A redução das expectativas de previsão de safra elevaram, no atacado, os preços da soja (10,98%) e milho (2,09%). Houve pressão também dos ovos (12,17%) e produtos como suínos (3,17%) e manga (43,05%). Quadros alertou que essa alta dos agrícolas deverá chegar ao varejo, mas ainda é difícil prever qual será a dimensão desse impacto. ''A agricultura foi muito importante para o controle da inflação no ano passado e esses dados mostram que isso não deverá ocorrer com a mesma força neste ano. Isso mostra que o controle da inflação em 2004 é uma corrida de vários obstáculos'', disse.
Prova dessa dificuldade é que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) subiu para 0,46% em março, ante 0,28% no mês anterior, sob impacto dos produtos alimentícios. Os maiores impactos de alta foram dados por manga (31,39%), mamão papaya (16,26%) e óleo de soja (7,05%). Também no IPC-DI, subiram água e esgoto (2,72%) e cigarro (4%). O responsável pela taxa, André Braz, disse que não há preocupação com uma explosão dos preços no varejo, em razão da da demanda ainda fraca de consumo no País. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu de 1% em fevereiro para 1,16% em março, sob pressão de materiais e serviços (1,38%) e mão-de-obra (0,91%).


