Símbolo da era das compras com um clique na tela, a Amazon é a prateleira mais desejada do comércio mundial, um atalho precioso para alcançar a sanha consumista dos norte-americanos e um passaporte para conquistar o mercado global.

A gigante, com receita de mais de US$ 638 bilhões em 2024, também sempre foi vista como uma grande mostruário da capacidade competitiva da indústria chinesa, com seus preços imbatíveis e sua infinidade de opções para solucionar problemas do dia a dia.

Mas esta é uma realidade que atravessa dias turbulentos com a guerra comercial declarada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A nova ordem criada pela Casa Branca instalou um degrau tarifário favorável aos produtos brasileiros em relação aos competidores do país asiático, gerando um discreto otimismo entre os especialistas em comércio exterior, reforçado com o anúncio da Amazon de cancelar pedidos dos fornecedores daquele país.

Afinal, as pequenas e médias empresas inovadoras do Brasil serão capazes de ganhar visibilidade com a oneração dos asiáticos no mercado mais cobiçado do mundo?

O assunto foi destaque esta semana no turbilhão de conteúdo que movimenta todo início de outono as alamedas curiosas do Parque Ney Braga durante a Expo Londrina, em especial para a plateia de uma série de palestras promovida pela Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos, seção Flórida (BACCF), com apoio do Sebrae Paraná, no Pavilhão Smart Agro, o chamado Roadshow.

“O tarifaço é muito mais incidente na China do que em países como o Brasil. No fim das contas, para nós é uma oportunidade porque a sobretaxa de 10% impacta menos o preço final e pode ser contornada com estratégias de diluição em um período”, avalia Emanuelle Motta, uma jovem líder fluminense do time da Sellers Flow, empresa especializada em alavancar as vendas de marcas brasileiras no mercado eletrônico dos Estados Unidos.

“Na Amazon, cerca de 50% dos vendedores são chineses. Portanto, a chance de protagonismo dos produtos brasileiros agora se tornou totalmente tangível”, explica. “Diria que nossos clientes e potenciais clientes estão totalmente motivados a encarar o mercado americano e derrubar o domínio dos chineses”.

Emanuelle destaca os bens duráveis, os produtos do mundo pet e os que evocam a brasilidade como exemplos de segmentos promissores.

Ela frisa que o comércio eletrônico é um ponto de partida natural para os pequenos e médios que buscam a internacionalização. “Os custos da operação são significativamente menores. E é menos complexo do ponto de vista burocrático, com planejamento logístico e de gestão de estoque mais simples, além de todo o pacote de apoio que marketplaces como a Amazon oferece”. Emanuelle lembra que, mesmo antes do tarifaço, a Amazon já trabalhava pela diversificação na origem das empresas vendedoras e com a valorização da identidade das marcas.

O evento na Rural trouxe outras apresentações como do membro do Conselho da BACCF, Carlos Mariaca; da vice-presidente sênior de empréstimos residenciais do BB Americas Bank, Sandra Mina; e do diretor executivo na Piquet Law Firm, Daniel Piquet.

Hoje, o Brasil é o principal destino das exportações da Flórida, com um volume de US$ 18,59 bilhões. O estado americano vende aos brasileiros produtos como peças de aviões, circuitos eletrônicos, aparelhos de telefonia, fertilizantes e instrumentos médicos. Já o Brasil fica apenas atrás da China e do México em volume de importações pelo estado. Na lista de itens, estão ouro, óleos essenciais, sucos de frutas, café e aeronaves, que geram uma movimentação anual aproximada de US$ 7 bilhões.

A consultora de mercado internacional do Sebrae Paraná, Danubia Milani, esclarece que o roadshow é uma ferramenta importante para identificar empresas que buscam oportunidades para abrir mercado, “neste caso um tão importante quanto a Flórida”. Ela informa que algumas já operam mas com “volume baixo” e que querem crescer. “Nossa missão é acelerar este processo”

Ela adianta que os empresários interessados na internacionalização poderão se capacitar em 2025 por meio do Programa de Qualificação de Empresas para Exportação (PEIEX), realizado numa parceria entre o Sebrae e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

“Temos a previsão de atender 150 empresas do norte do Paraná, em dois anos, levando conhecimento e a metodologia da Apex Brasil de como iniciar as exportações. Nosso objetivo é aumentar em 10% o número de empresas exportadoras da região”, afirma. (Com informações da assessoria do Sebrae Paraná)

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