Produtos alimentícios puxam IPCA
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sábado, 11 de novembro de 2006
Agência Estado 
Rio de Janeiro- Os preços dos produtos alimentícios, que já vinham empurrando para cima a inflação, dispararam em outubro e elevaram o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 0,33%, no teto das expectativas de mercado. Em setembro, a taxa havia sido de 0,21%. Os alimentos responderam sozinhos por mais da metade (0,18 ponto porcentual) do resultado. Com isso, pela primeira vez no ano, a inflação foi maior (0,43%) para a camada mais pobre de consumidores (um a seis salários mínimos), na qual o item alimentação tem mais participação no orçamento.
Apesar da alta de outubro, a taxa acumulada do IPCA no ano (2,33%) ainda é a menor apurada para o período desde 1998. Também no intervalo de 12 meses, o resultado alcançado, de 3,26%, é o menor desde março de 1999. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, considerou pequeno o aumento do IPCA de outubro. Ressaltou que ''é totalmente explicado pelos alimentos'' e que não há maiores pressões já conhecidas sobre a inflação de novembro. Os preços dos alimentos foram pressionados principalmente pelas carnes, que tiveram alta de 4,51%, atribuída ao período da entressafra.
No início de 2007, a pressão na inflação pode ser ainda maior, na avaliação do economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles. Ele lembra que os grupos de alimentos e de educação ganharam mais peso no cálculo do IPCS, baseado na Pesquisa de Orçamento Familiar. E destaca que, nos primeiros três meses do ano, em especial em janeiro, a inflação costuma ser mais elevada, em função do período de entressafra de alguns alimentos e do reajuste de preços das mensalidades escolares e do material didático.
A alta de outubro não compromete a meta inflacionária de 2006, calculada com base no IPCA e que este ano foi definida pelo governo em 4,5% (com margem de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo). Eulina atesta que ''não há dúvida'' de que o índice, ao final de 2006, será o menor apurado desde 1998, ano em que a política econômica incluía câmbio fixo e não havia metas de inflação e a taxa chegou a dezembro acumulando alta de 1,65%.
INPC- O INPC, que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população (um a seis salários mínimos), registrou em outubro alta de 0,43%. Foi, pela primeira vez neste ano, uma variação mais alta do que o IPCA (um a 40 salários mínimos).
No acumulado de janeiro a outubro, porém, o INPC (1,75%) continua abaixo do IPCA (2,33%), repetindo o que ocorreu em 2004 e 2005, em conseqência da importante contribuição dos alimentos para a manutenção da inflação sob controle em 2006.


