Produtos agropecuários elevam inflação
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Produtos agropecuários mais caros no atacado levaram à aceleração da segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que avançou de 0,04% para 0,09% entre outubro e novembro. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o índice deve fechar o mês com pequena taxa positiva. Mesmo com o avanço mensal, a taxa acumulada em 12 meses registra deflação de 1,61% - o que reforça a possibilidade de o IGP-M encerrar 2009 com queda anual pela primeira vez em sua história, iniciada em 1989.
Ele preferiu não especular se o IGP-M de novembro pode fechar acima do indicador de outubro (0,10%). Mas considerou que o avanço na taxa, mensurado pela segunda prévia, não é preocupante. Isso porque os aumentos de preços estão concentrados em poucos produtos agropecuários no atacado.
Entre os destaques que contribuíram para a taxa maior da segunda prévia do IGP-M, estão queda mais fraca de preços apurada em soja em grão (de -2,51% -0,12%); aceleração de preços em milho em grão (de 0,26% para 5,15%); e o fim da queda de preços em alimentos in natura (de -7,28% para 4,21%). Além disso, a trajetória de preços da cana-de-açúcar continua em disparada no atacado (de 3,23% para 6,07%) devido a um cenário de oferta menor do que demanda. Isso puxou para cima a inflação atacadista (de 0,02% para 0,09%) da segunda prévia de outubro para igual prévia em novembro.
A inflação no atacado poderia ter avançado ainda mais, não fosse a influência de quedas de preços importantes no setor. É o caso do retorno à deflação nos preços de bovinos (de 0,44% para -1,20%) e de alimentos processados (de 2,47% para -1,02%), que ocorreram no mesmo período.
Os preços no varejo também contribuíram para a taxa maior da segunda prévia. A inflação ao consumidor avançou de 0,03% para 0,07% de outubro para novembro, devido à perda de força na deflação dos alimentos (de -0,96% para -0,38%). ''Os alimentos in natura estão mais caros no varejo'', explicou Quadros. Já os preços na construção tiveram uma leve desaceleração (de 0,13% para 0,12%), beneficiados por máquinas, equipamentos e serviços mais baratos.


