A queda de barreiras comerciais e de informação cria um padrão de qualidade mundial que precisa ser atendido pelas empresas brasileiras, mesmo aquelas que não têm intenções de exportar, pois todos vão enfrentar a concorrência de produtos similares no mercado nacional. ‘‘Qualquer produto, por mais brasileiro que seja, não pode deixar de ser mundial’’, avalia Nizan Guanaes, da agência de publicidade, DM9 de São Paulo.
‘‘Antes (da abertura comercial) os produtos brasileiros ganhavam dos estrangeiros por W.O.’’, diz Guanaes, referindo-se à situação em que um dos times vence porque o adversário não aparece para disputar uma partida. Ele sugere aos empresários brasileiros que ‘‘levantem a cabeça’’ e deixem de lado qualquer sentimento de inferioridade em relação ao exterior. ‘‘Não somos um paisinho, vamos ocupar o lugar dos Estados Unidos, não tenho dúvida’’, diz.
‘‘Temos uma capacidade empresarial e um mercado fantásticos. Ou vocês acham que o monte de dinheiro que está entrando no País vem por caridade do empresários estrangeiros?’’, argumenta. ‘‘Não pensávamos de forma global, agora cada um precisa saber quem é e para onde vai’’.
Ele admite que a globalização traz dificuldades para muitas empresas, que passam a enfrentar aqui a concorrência externa. Mas adverte: ‘‘Na crise há sujeitos que choram e outros que vendem lenços. É preciso escolher de que lado se vai ficar’’.
Guanaes tem uma sugestão simples para os que pretendem ampliar os horizontes de sua atuação empresarial: viajar ao exterior. ‘‘Viajar a Nova Iorque é como ir ao futuro e voltar. O dono de um pequeno supermercado que não viaja não sabe de que lado o vento vem, nem para onde vai nos levar, e não pode antecipar necessidades de seus clientes’’. (L.L.)

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