Produtores vão plantar soja transgênica
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Leonêncio Nossa e Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, afirmou ontem que os produtores vão plantar soja transgênica na próxima safra, mesmo sem autorização legal para isso. Após se encontrar com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, no Palácio do Planalto, Sperotto disse que o governo mantém a disposição de não editar uma nova medida provisória para permitir o plantio, como afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segunda-feira.
''O ministro sabe que vamos plantar'', afirmou. ''O Brasil vai plantar, não é só o Rio Grande do Sul.'' Ele disse não temer uma repressão aos produtores que plantarem soja transgênica. ''Os nossos parlamentares e o Executivo não vão submeter os produtores a uma rebeldia civil.'' Sperotto disse compreender a posição do governo, de esperar que o Congresso vote o projeto da Lei de Biossegurança. Mas ressaltou que os produtores têm urgência de plantar a soja, pois a época de semeadura é agora.
No Congresso, porém, não há clima de entendimento. Reunidos ontem na Câmara, deputados da bancada ruralista criticaram o substitutivo do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que é relator do projeto no Senado. A principal crítica é que o texto de Suassuna tira poderes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para autorizar o plantio comercial de plantas biocidas (resistentes a vírus, bactérias, insetos ou fungos).
''O projeto de Suassuna é bem pior do que o primeiro relatório do senador Osmar Dias'', afirmou o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Leonardo Villela (PP-GO). ''Do jeito que está, é melhor não votar.''
Outro ponto que desagradou a bancada ruralista é o que determina que o registro de uma variedade transgênica seja concedido em até 120 dias. De acordo com Villela, após esse prazo, o pedido será cancelado. ''É uma armadilha.''
O presidente da comissão afastou uma nova articulação da bancada junto ao Palácio do Planalto para que seja editada uma nova Medida Provisória (MP). ''Já que o governo não quer editar uma nova MP e não aceita uma emenda em outra MP que tramita na Casa, que ele se vire para fiscalizar a situação de ilegalidade que está sendo criada'', afirmou.


