Produtores vão operar em Paranaguá
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Vânia Casado 
Os produtores de álcool e açúcar do Paraná pediram a intermediação do governador Jaime Lerner junto ao governo federal para agilizar a operação de compra do estoque de álcool por parte da Petrobrás. Os produtores paranaenses temem que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) impeça a liberação de recursos federais para compra do excedente de álcool em função da falta de pagamentos de impostos federais como INSS e FGTS.
O pedido foi feito ontem quando Lerner assinou a homologação da concorrência pública promovida pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que concede aos produtores a concessão para explorar um terminal próprio no porto de Paranaguá. Para construir e explorar o terminal os produtores constituiram a empresa Paraná Operações Portuárias S/A (Pasa), que deverá investir entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões na estruturação de uma área de 9.000 metros quadrados. Quando o terminal estiver em operação, a partir de 2.001 será possível reduzir os custos de operações portuárias para exportação do açúcar em 50%, o que deverá permitir a atração de parte da produção de São Paulo para ser escoada via Paranaguá, acreditam os produtores.
O presidente da Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcoopar), Anésio Tormena disse que a crise gerada pela falta de demanda de álcool está se agravando. Em função disso, muitos empresários optaram por preservar o pagamento dos 70 mil empregos diretos gerados pelo setor, numa área que faltam alternativas para emprego da mão-de-obra sem qualificação. Em função disso não pagaram os encargos sociais.
Tormena contou ao governador que recebe diariamente ligações de prefeitos da região produtora de cana-de-açúcar ansiosos para o início das operações de safra, o que diminui a pressão do desemprego nos municípios. O produtor não descartou o risco de demissões se não houver um envolvimento dos governos federal e estaduais para que o excedente de produção de álcool seja absorvido. No Paraná, o excedente é de 450 milhões de litros.
Os produtores de alcool pediram ainda apoio do governo do Paraná para liberação de R$ 800 mil junto ao Banestado ou outra fonte de fomento para instalação de uma indústria, que vai fabricar um aditivo que vai permitir a homogeneização da mistura de álcool ao óleo diesel. Com isso será possível elevar a mistura de 3% para até 10%.
O aditivo, denominado AEP-102, é um derivado da soja e está sendo pesquisado pelo Tecpar e ministério da Ciência e Tecnologia. O projeto é da Alcoopar e a indústria deverá ser instalada em Maringá.


