Flávio Turra, analista técnico da Ocepar, disse ontem à Agência Estado que o produtor brasileiro está acompanhando esse cenário e saberá se aproveitar dele para garantir os preços atuais na hora de negociar com a indústria. Conta a seu favor o fato de que, definida a situação argentina, o trigo demora até 15 dias para chegar ao Brasil. Na Argentina, o mercado está travado deste o início da semana, disse um corretor do Paraná.

''O produtor argentino está segurando o trigo no campo porque sua dívida é em dólar e por isso teme a desvalorização. Já os exportadores argentinos decidiram suspender as vendas com vencimento em janeiro e fevereiro pela completa indefinição sobre a política de exportação. Não está claro se o governo argentino continuará restringindo os impostos das operações e devolvendo parte das taxas que incidem sobre o produto'', diz.

Os preços do trigo argentino têm se mantido em US$ 105 FOB (trigo produzido no norte) e US$ 113 (do sul, onde choveu menos durante o plantio). De acordo com a fonte, a situação não é mais grave para o Brasil devido aos feriados de final de ano.

Aproveitando-se do fato de que as festas caem no meio da semana, os moinhos anteciparam suas compras e a maioria deles decretou férias coletivas até 7 de janeiro. ''No dia 7 voltam todos às compras e, se a Argentina ainda não tiver resolvido sua situação, vão correr atrás do bom trigo nacional.''

A Conab disse ontem que não há risco de desabastecimento, mesmo os problemas com a Argentina permaneçam por mais algumas semanas.

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