Os principais países produtores de café vão tentar hoje, em Londres, superar suas divergências quanto a um plano de retenção da oferta para provocar uma alta dos preços.
A perspectiva de um plano dessas características não impede no momento que os preços continuem em seu nível mais baixo dos últimos sete anos, demonstração eloquente do ceticismo do mercado.
Em Londres, a tonelada do robusta se cotou ontem a 916 dólares, uma queda de 22 dólares em relação ao início da semana.
Os membros da Associação de Países Produtores de Café (APPC), à qual se unem vários países não-membros, devem se pronunciar sobre uma proposta do Brasil e Colômbia, os dois principais produtores mundiais, cujo objetivo é retirar do mercado milhares de toneladas de café.
A proposta está sobre a mesa há vários meses, mas suscita muitas reticências, principalmente por causa de seu custo.
Alguns grandes produtores como Indonésia ou Vietnã (terceiro produtor mundial) já advertiram que não contam com os meios para enfrentar gastos de armazenamento do café retido.
Esses países resistem igualmente a se ver privados de um recurso importante em divisas. Em outros países onde o setor está muito liberalizado, como no Brasil ou México, é o setor privado que não quer seguir o jogo, por temor que seja ele que acabe pagando a fatura.
Nessas condições, o mercado prefere esperar o resultado da reunião de sexta-feira. ‘‘As dúvidas giram essencialmente em torno do fato de se saber se os países não-membros (da APPC) como México e Vietnã vão aderir ao plano’’, assinalou Andrea Thompson, analista da corretora GNI em Londres.
O mercado se mostra tranquilo sobretudo porque a APPC adiou até o último minuto sua reunião, prevista inicialmente para 8 e 9 de maio, o que dá a impressão de um desacordo interno na falta de uma explicação oficial.
Os analistas estimam que os organizadores talvez quisessem dar um pouco mais de tempo para ter o nível de representação mais alto possivel, isto é, ministerial, e reforçar assim as oportunidades de obter um acordo.

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