Produtores temem fila para exportar soja
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Desde o início do ano até o início da segunda quinzena deste mês, 74 mil toneladas de soja em grão foram embarcadas pelo Porto de Paranaguá, 12 mil toneladas a mais do que o volume exportado no mesmo período em 2004. A soja que está sendo escoada ainda é da safra passada, mas a partir de março a safra de soja 2004/2005 também começa a chegar no porto, trazendo, com ela, o receio de que uma imagem comum em todas as safras se repita: a fila de quilômetros e quilômetros de caminhões encostados no acostamento da BR-277, esperando para descarregar.
No ano passado, no pico da comercialização da soja, a fila ultrapassou 100 quilômetros de comprimento, envolvendo cerca de 4 mil caminhões enfileirados até o município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Por Paranaguá, foram escoadas 10,6 milhões de toneladas de soja em farelo, um terço de toda a exportação do Brasil, de 33,7 milhões de toneladas.
Para este ano, segundo o engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a expectativa é que as exportações pelo Porto de Paranaguá aumentem pelo menos 10%, chegando a 11,7 milhões de toneladas. Pelo porto, sai grande parte da produção do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e um pouco do Paraguai, além da safra paranaense, que deve aumentar 30% em relação ao ano passado. A estimativa é que a safra feche em 13 milhões de toneladas contra 10 milhões de toneladas em 2004.
Ainda assim, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) acredita que este ano não haverá fila de caminhões. O otimismo vem em função das medidas que estão sendo tomadas. Para aumentar a capacidade de estocagem de mercadoria, a Appa está fechando um acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para uso de seus armazéns, em Ponta Grossa. Com isso, a capacidade do porto de estocar 1,1 milhão de toneladas ganharia uma folga, com o espaço da Conab, cuja capacidade é de 420 mil toneladas.
Outra medida foi o aumento de 200 mil watts na iluminação do pátio de triagem e do cais que, segundo a Appa, permite que o porto opere 24 horas por dia com a mesma agilidade. A terceira medida, implantada no final de 2004, com a Ordem de Serviço 020/04, determina que o porto dê preferência a navios com prancha grande, que tenham maior volume de carga nominada para embarcar. O objetivo é fazer com que os navios só saiam do porto quando estiverem com toda sua capacidade de carga tomada.
A determinação foi baixada, segundo a assessoria, porque o porto vinha operando com uma média de carregamento de 40 a 50 mil toneladas por dia, quando sua capacidade de carregamento é de 100 mil toneladas por dia.
Mafioletti também acredita que os baixos preços da soja devem fazer com que os produtores aguardem para vender seu produto, colaborando, assim, para a não formação de filas.


