Os bons preços das commodities aliados às boas condições climáticas e à grande produção vai gerar aos produtores rurais a maior renda bruta agropecuária dos últimos quatro anos. Estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), indicam que o valor bruto da produção (VBP) vai atingir R$ 33,25 bilhões. Em valores corrigidos pelo IGP-Di (índice que meda a inflação), o total só é um pouco menor do que o registrado em 2003, quando o VBP foi de R$ 33,27 bilhões, e o Paraná colheu safra recorde.
A projeção considera o desempenho da produção estadual de grãos e a comercialização dos 20 principais produtos da agropecuária. Os itens com maior representatividade de renda do Estado são os grãos, cana-de-açúcar, etanol, leite, frango, suínos e boi gordo. A safra 2006/08 produziu mais de 29 milhões de toneladas. Segundo a coordenadora da Divisão de Estatística do Deral, Gilka Cardoso Andretta, responsável pelos cálculos, o montante de R$ 33 bilhões é a renda bruta obtida pelos produtores, desconsiderando os gastos com os custos de produção.
''Tivemos três anos ruins, mas o desempenho deste ano (2007) foi compensado pelos altos preços das commodities nos mercados interno e externo'', observa Gilka. Este ano o Paraná produziu mais soja, milho e trigo (produtos com maior peso no cálculo do VBP) comparando com as safras anteriores e as cotações estavam altas no mercado internacional. O resultado obtido nesta safra é 22% maior do que o alcançado pelos agropecuaristas na produção do ano passado, quando as lavouras foram prejudicadas pela estiagem e as commodities estavam com baixas cotações no mercado externo.
Em 2003, por exemplo, o bom desempenho ocorreu devido ao aumento da produção de milho e soja e dos preços recebidos pelos grãos. Em 2004, a renda bruta em valores nominais foi maior do que o registrado em 2003 (4,4%), mas em valores reais houve decréscimo. A pesquisadora acrescenta que os estudos anuais mostram mudanças nas bases agropecuárias do Estado. ''A soja continua sendo o carro-chefe da safra, mas vem perdendo espaço porque as propriedades estão diversificando a produção ou fazendo integração entre a lavoura e a pecuária'', afirma.
O cálculo considera os 20 núcleos regionais da Seab no Estado e, em dez anos, algumas unidades apresentaram decréscimo dos valores reais. Um destes núcleos é o de Londrina, cujo VBP obtido no ano passado foi de R$ 1,18 bilhão, enquanto que em 1997 os produtores tiveram rendimento bruto de R$ 1,7 bilhão, valor semelhante ao alcançado em 2003. ''Neste local a economia está baseada no milho e na soja e com a estiagem no ano passado a produção foi menor'', comenta Gilka. Comparando 97 com 2006, na região de Londrina os dois municípios que mais apresentaram crescimento de valores reais foi Cafeara e Tamarana, com crescimento de 69% e 46%, respectivamente.

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