Curitiba - A Cooperativa Agropecuária Arapoti Ltda. (149 km ao sul de Jacarezinho) teve seu desvio ferroviário desativado pela América Latina Logística (ALL-Delara) e, agora, é obrigada a escoar por via rodoviária sua produção de cerca de 110 mil toneladas anuais de soja, milho e trigo para exportação pelo porto de Paranaguá. Produtores de municípios como Pato Branco e Umuarama também têm que transportar seus produtos por caminhão porque as linhas de trem não chegam até estas regiões. Como o frete rodoviário é mais caro, estes produtores acabam tendo um acréscimo de 20% no valor final de suas mercadorias, perdendo competitividade em relação àqueles que fazem o transporte pela via férrea.
Para o engenheiro agrônomo Nelson Costa, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), os maiores gargalos do transporte ferroviário no Estado são a saturação do trecho Curitiba-Paranaguá e a não disponibilidade de locomotivas em quantidade suficiente para atender a demanda de carga. ‘‘Nós questionamos o porquê da ALL não colocar mais vagões e locomotivas’’, diz, lembrando que técnicos da Rede Ferroviária Federal S.A. acreditam que o transporte na Serra do Mar poderia aumentar em 20% caso a empresa colocasse mais locomotivas no trecho.
O assessor Nilson Hanke Camargo, do Departamento Técnico-Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), também critica a situação. ‘‘O problema do sistema ferroviário é a falta de linhas’’, diz. Como só existem dois trechos ferroviários – de Cascavel e de Apucarana, com destino a Ponta Grossa, Curitiba e Paranaguá – os produtores do Oeste, Sudoeste e Noroeste, segundo ele, só têm duas opções. Ou fazem o transporte ponto-a-ponto de caminhão, ou fazem o transbordo da mercadoria do caminhão para o trem, nos terminais ferroviários.
Mas na maioria das vezes esta opção não vale a pena. ‘‘O produtor tem que pensar no problema de custo dos dois modais, do tempo de mudança e muitas vezes na necessidade de pagar um armazém enquanto aguarda a disponibilidade dos trens’’, diz. É este o impasse da Cooperativa Agrária Mista de Entre Rios Ltda., situada em Ponta Grossa. ‘‘Não vale a pena fazer baldeação do trem para caminhão em Guarapuava. Sairia mais caro’’, diz, o coordenador de Transportes Luiz Altair Kriger, lembrando que o frete de caminhão fica em R$ 17,00 por tonelada.
Para discutir esta situação, técnicos da Faep, Ocepar, Federação do Comércio e da Industria, e outras entidades afim participaram, dia 29, de um Simpósio sobre o impacto dos custos do transporte na produção. Cálculos da Faep mostram que o custo médio apenas em pedágio de ida e volta entre Cascavel a Paranaguá, por exemplo, custa R$ 229,40 para um caminhão com capacidade de 27 toneladas, resultando em cerca de R$ 40,000 a R$ 45,00/tonelada com outros gastos, o euivalente a R$ 1.080,00. Já o trem, 80% mais barato, ficaria em cerca de R$ 35 a tonelada. No simpósio foram definidas várias ações para alocar recursos para melhorar o porto e ferrovias.
Procurada pela Folha, para falar sobre a deficiência da malha ferroviária em algumas regiões do Estado, a diretoria da ALL não quis se pronunciar.

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