A comercialização da soja está mais lenta este ano. Até o início da semana, produtores paranaenses tinham negociado 73% da safra. No mesmo período do ano passado, segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departemento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), 91% da produção já havia sido vendida.
''O parâmetro do produtor é sempre o ano anterior'', comentou o engenheiro agrônomo Miguel Abrão, gerente de projetos comerciais da Milenia Agro-Ciências. Ex-diretor da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), ele fez palestra sobre o mercado futuro da soja, ontem, na abertura do Seminário Norte Paranaense da Soja, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina. O evento termina hoje.
Ele explicou que, em 2002, os preços subiram bastante na entressafra, impulsionados pela explosão do dólar. ''Quem vendeu antes, perdeu. Por isso os produtores estão segurando'', disse. O especialista defende, porém, que a hora é de começar a mudar as posições. Na colheita, a saca de soja estava cotada a US$ 9,50 no Paraná. Atualmente, chega a US$ 12,00. ''É um preço atrativo'', comentou.
Alguns fatores, a partir dos próximos meses, devem influenciar o atual comportamento altista dos preços da commodity. Um deles é a possibilidade da indústria começar a importar soja no final do ano, quando inicia a safra americana. A definição das safras brasileira e argentina, no início de 2004, também pode derrubar a cotação. ''A quebra na safra americana, por outro lado, pode interferir nas importações'', lembrou.
Diante da conjuntura, ele recomenda que o produtor comece a comercializar os estoques restantes. ''É uma forma de garantir bons preços'', disse, acrescentando que a valorização do capital pode ser mantida por aplicações no mercado financeiro. Outra alternativa é comprar à vista os insumos para a próxima safra, conseguindo bons descontos. ''Essa postura diminui os custos'', analisou.
Durante a palestra, Abrão esclareceu sobre os mecanismos de venda futura da soja. Para ele, as opções existentes no mercado servem para travar o custo do produtor, diminuindo o risco de prejuízo. Na região de Londrina, por exemplo, o preço futuro para maio está fixado em US$ 11,00 por saca.
''É um valor atrativo'', considerou, lembrando que, em maio, o preço costuma cair. ''O ideal é vender um pouco antecipado para cobrir os custos, outro tanto na boca da colheita e guardar o restante para comercializar escalonadamente, de acordo com as movimentações do mercado'', orientou.

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