Produtores reivindicam preço mínimo para suínos
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segunda-feira, 12 de agosto de 2002
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Suinocultores de todo o Paraná querem a garantia de um preço mínimo para a comercialização da carne de porco e do couro do animal. Eles dizem que desde o início do ano os custos subiram com o aumento do preço do milho, inviabilizado a produção de suínos no Estado. O quilo do porco está sendo vendido para as indústrias frigoríficas por um preço médio que varia entre R$ 0,85 e R$ 0,95. ''Estamos em situação de falência total'', alertou José Luiz Vicente da Silva, presidente da Sociedade dos Suinocultores do Norte do Estado.
Para cobrir o custo da produção de suínos, os criadores pedem preço mínimo por quilo entre R$ 1,30 e R$ 1,50. Já para o couro do suíno, hoje em R$ 1,70, eles reivindicam R$ 2,15. ''O couro até vamos conseguir fixar o preço com maior rapidez. O grande problema da carne está nas redes supermercadistas, que estabelecem os preços que querem para pagamento aos frigoríficos'', acusou José Silva.
O vice-prefeito de Medianeira, Euclides Gasparin, afirmou que se nada for feito rapidamente, os suinocultores vão quebrar e os grandes centros urbanos terão os bolsões de miséria aumentados. ''Não vai ter como segurar a quebradeira geral no setor'', alertou. A previsão de Gasparin é a de que 50% dos produtores de suínos paranaenses quebrem em 60 dias.
O Estado tem atualmente 21 mil produtores de suínos e 4,6 milhões de animais. O líder de produtores de suínos de São Miguel do Iguaçu, José Carlos Colambari, cobrou dos deputados estaduais da CPI dos Alimentos maior agilidade nas negociações com o governo federal. Ele lembrou que a audiência pública realizada ontem foi a terceira (duas anteriores foram feitas em Francisco Beltrão e Marechal Cândido Rondon), e que os resultados ainda não puderam ser vistos. ''Não dá mais para aguentar este impasse'', lembrou.
Colambari sugeriu que além do preço mínimo, o governo federal implante um financiamento de emergência para os produtores rurais, no valor de R$ 200,00 por matriz. Os suinocultores querem ainda que o governo federal compre o excesso de produção e utilize em merenda escolar e demais programas sociais.
A CPI dos Alimentos, se comprometeu em trabalhar para viabilizar a implantação do preço mínimo no Paraná. As demais reivindicações dos produtores serão levadas para a Câmara Federal e o Ministério da Agricultura. A CPI tem mais 60 dias para finalizar os trabalhos na Assembléia Legislativa.
O presidente da Sociedade de Suinocultores de Sudoeste do Paraná, Irineu Vesler, disse que os produtores querem exportar. No entanto, mesmo para a exportação o preço do animal é baixo. Ele sugeriu a criação de uma agência para investigar mercados e auxiliar no escoamento da produção. ''Precisamos trabalhar juntos com as entidades para viabilizarmos uma saída rápida'', complementou.
Os produtores terminaram o dia com uma carreata pelas ruas centrais de Curitiba.


